A Segurança das Mulheres em Foco
Na última quinta-feira (18), Salvador vivenciou um momento importante na luta pelos direitos das mulheres com o lançamento do manifesto intitulado “A cidade das mulheres precisa ser mais segura, justa e democrática”, que ocorreu no auditório do Palácio da Aclamação. O evento, que contou com a presença de diversas mulheres, foi marcado por relatos emocionantes e um chamado à ação em prol de uma cidade mais inclusiva.
Uma das vozes mais impactantes da tarde foi a de uma mãe de um adolescente autista de 14 anos, que compartilhou sua experiência angustiante: “Toda vez que os direitos do meu filho são negados, eu também sofro uma violência”. Este desabafo representa as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres na capital baiana, que lutam contra a falta de serviços públicos adequados em áreas essenciais como saúde, educação, transporte e segurança.
O documento que foi apresentado é resultado de debates realizados em quatro oficinas do projeto “Salvador, a cidade das mulheres”, uma iniciativa promovida pelo Instituto de Inovação Tecnológica, Gestão e Desenvolvimento Social (IADES) em colaboração com a ONG Amparamulher. O manifesto será direcionado às principais autoridades estaduais e municipais, visando chamar a atenção para as áreas que apresentaram maior vulnerabilidade, como a deficiência no transporte público e o aumento alarmante dos índices de feminicídio e assédio.
A Importância da Mobilização
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que participou ativamente das escutas nas comunidades, esteve presente na plenária final e ressaltou a importância de construir uma cidade que seja segura e inclusiva para todas as mulheres. Como líder da oposição na Câmara, Aladilce sugeriu a criação de canais de organização nos bairros, que permitam que as mulheres continuem mobilizadas e ativas em suas reivindicações. “Podemos reivindicar espaços em escolas públicas de tempo integral para as atividades, elas precisam abrir as portas para as comunidades”, enfatizou a vereadora, destacando que uma cidade boa para as mulheres é benéfica para todos.
O ciclo de oficinas que culminou no manifesto faz parte da mobilização nacional “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”. Durante o evento, o governador Jerônimo Rodrigues foi representado pelas secretárias de Políticas para Mulheres, Neuza Cadore, e de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, que se comprometeram a trabalhar nas políticas públicas sugeridas no manifesto, evidenciando a importância das ações sociais em nível federal e estadual que colocam as mulheres no centro da agenda.
A Economia das Mulheres e Suas Demandas
Importantes figuras do governo municipal e estadual também estavam presentes, como Carolina Dias, representante da Secretaria Municipal de Mobilidade; Larissa Gonçalves, da Secretaria Estadual de Educação; e Mônica Campos, da Secretaria da Saúde (Sesab). O manifesto foi lido por Natália Gonçalves, da União Brasileira de Mulheres, e abordou diretrizes fundamentais para a construção de uma cidade mais justa.
A mobilização das mulheres é reconhecida como um motor econômico significativo em Salvador, com muitas famílias chefiadas por mães e avós que necessitam de melhores oportunidades e políticas públicas mais inclusivas. Isabela Conde, do Amparamulher, e Cláudia Bezerra, do IADES, chamaram a atenção para a importância do reconhecimento do papel dessas mulheres na economia local e a necessidade de serem ouvidas.
O manifesto foi construído com base nas experiências e desafios apresentados pelas participantes das oficinas realizadas em diversas regiões, como Federação, Cajazeiras, Península Itapagipana e Cabula. O ato de lançamento contou com a presença de diferentes grupos de mulheres, como o Flor de Cacto, a Associação Mirante do Bonfim e as idosas do Poder Grisalho, que encerraram a plenária com danças, celebrando a união e a luta por justiça.


