Reflexões sobre o Futuro do Brasil
Com a chegada de 2026, o Brasil se vê cercado por expectativas e preocupações que não podem mais ser ignoradas. O país continua preso em disputas ideológicas sem propósito, enquanto questões estruturais urgentes permanecem varridas para debaixo do tapete. Chegou o momento de abandonar medidas econômicas superficiais e discursos que desconsideram a realidade de quem realmente produz, investe e mantém a nação em funcionamento.
A elevada carga tributária imposta a empresas de todos os tamanhos sobrecarrega o setor produtivo, enquanto o déficit público aumenta em um ritmo alarmante, incompatível com uma gestão fiscal responsável. As taxas de juros, com uma Selic preocupante de 15%, se estabelecem em um nível que desestimula investimentos que poderiam ser fundamentais para o crescimento econômico. Além disso, a insegurança jurídica continua a ser um dos principais obstáculos à competitividade do Brasil.
É crucial esclarecer um ponto: o motor da riqueza é o setor produtivo. Não se pode falar em desenvolvimento social sustentável sem um crescimento econômico robusto. Nenhum país alcançou sucesso em suas tentativas enquanto ignorava essa verdade inegável! Políticas públicas sólidas não podem existir sem uma base produtiva forte, organizada e devidamente reconhecida. A indústria, o comércio, o agronegócio e os serviços não são adversários do interesse público; eles são, de fato, seus principais aliados. Demonizar os empreendedores é um erro que o Brasil não pode mais se permitir.
Urgência na Recuperação da Racionalidade Econômica
O momento exige que o país recupere a racionalidade na gestão dos gastos de todos os poderes, assegure um ambiente jurídico seguro, reduza o custo do capital e crie um clima de negócios que seja, ao menos, previsível. É fundamental que o Brasil se torne competitivo em âmbito internacional. E, nesse contexto, é importante que os empresários da Bahia se atentem: nosso estado possui características estratégicas valiosas, como uma significativa capacidade produtiva e uma vocação logística notável. Contudo, nenhuma dessas vantagens prosperará sem regras bem definidas e um diálogo sincero entre os responsáveis pela produção e os tomadores de decisão.
O futuro do Brasil é agora. Em 2026, teremos a oportunidade de decidir se continuaremos a adiar decisões difíceis ou se avançaremos de fato. Não podemos permitir que o país permaneça dividido em “nós e eles”. Somos uma nação rica em diversidades, e somente avançaremos por meio de uma consciência cidadã que favoreça debates claros e transparentes — sem receios de confrontar realidades estruturais e propor soluções efetivas.
À frente da Associação Comercial da Bahia, faço um apelo: não nos omitiremos. Instituições robustas existem para defender interesses legítimos, articular forças e construir pontes entre o setor produtivo, o poder público e a sociedade. Proteger o empreendedor significa garantir empregos, renda, inovação e dignidade. Defender o empreendedor é, indubitavelmente, defender o Brasil.
Pensar no Brasil do amanhã demanda coragem no presente. Que 2026 marque um ponto de virada, em que deixaremos de esperar e passaremos, de uma vez por todas, a agir.
Que os orixás abram nossos caminhos, que Santa Dulce dos Pobres nos guie, e que o Senhor do Bonfim nos abençoe com clareza, firmeza e responsabilidade.


