Desempenho do Governador Jerônimo Rodrigues em Questão
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega ao seu terceiro ano de mandato à frente do governo da Bahia, apresentando uma nota de 5.1 na mais recente avaliação do desempenho dos governadores do Brasil, feita pela pesquisa AtlasIntel. Com essa pontuação, Jerônimo ocupa a 11ª posição no ranking, refletindo uma reprovação de 45%, enquanto 4% da população se declara indecisa. Essa avaliação suscita questionamentos, especialmente considerando que seu governo é uma continuidade das gestões do petismo que começaram com Jacques Wagner (2014-2017) e foram seguidas por Rui Costa (2015-2022), que sempre destacaram os avanços na Bahia.
O cenário é ainda mais intrigante pelo fato de Jerônimo estar alinhado politicamente com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o que, em teoria, deveria garantir uma avaliação mais favorável. Durante um recente almoço de final de ano com jornalistas, o deputado Rosemberg Pinto (PT), líder da Maioria na Assembleia, fez questão de ressaltar que pesquisas internas mostram notas mais altas para Jerônimo do que a registrada pela AtlasIntel, embora não tenha divulgado os números.
A avaliação do desempenho do governador é comparada a um boletim escolar: assim como um estudante que traz notas para casa, o governador também deve prestar contas ao povo. No passado, a nota 5 era considerada insatisfatória por muitos pais, que esperavam índices superiores, e esse parâmetro se aplica ao atual cenário político.
Desafios e Críticas na Gestão
Apesar de um orçamento robusto de R$ 77 bilhões por ano e de um significativo esforço em inaugurar obras, a gestão de Jerônimo enfrenta críticas severas. Suas iniciativas incluem colégios em tempo integral e investimentos em saúde, no entanto, a população tem demonstrado insatisfação com a efetividade dessas ações. A pesquisa da AtlasIntel revela que as áreas da educação e saúde têm uma reprovação entre 45% e 47%, mesmo com a inauguração de várias unidades.
Um fator que agrava a situação é a crescente insegurança no estado, que se tornou um tema recorrente nas discussões públicas. Recentemente, a morte de três operários de uma empresa de telefonia móvel, supostamente relacionada a cobranças de facções criminosas, levantou ainda mais a preocupação com a segurança pública. Esses incidentes impactam diretamente a imagem do governador, o que complica seus esforços para se conectar com a população e aumentar sua popularidade.
Jerônimo Rodrigues, que deve enfrentar sua reeleição em um futuro próximo, terá apenas seis meses para reverter sua baixa avaliação antes de se dedicar às campanhas eleitorais. Isso levanta a dúvida sobre sua capacidade de implementar mudanças significativas em sua gestão nesse período. A partir de julho, ele estará restrito em suas atividades de inauguração de obras e propaganda, o que limita sua capacidade de engajar a população.
Investimentos e Resultados Fiscais da Bahia
Apesar dos desafios em sua administração, a Secretaria da Fazenda da Bahia afirma que, nos últimos três anos, o estado conseguiu liderar investimentos entre os estados brasileiros, alcançando R$ 20,8 bilhões. Este feito é notável, considerando que a Bahia, historicamente, estava em segundo lugar, atrás de São Paulo. O secretário Manoel Vitório revelou que a dívida pública foi reduzida em R$ 2,6 bilhões, e a relação da dívida em relação à receita cairá de 33% para 31% nos próximos meses.
A aparente contradição entre os novos empréstimos e a redução da dívida é explicada pela boa gestão fiscal do estado, que tem honrado seus compromissos financeiros. De acordo com o secretário, 74% dos investimentos realizados são oriundos de recursos próprios. Isso demonstra que, apesar das críticas, a saúde fiscal do estado se mantém estável.
Com o encerramento do terceiro ano de mandato, as expectativas se acumulam sobre o que Jerônimo poderá realizar até o final de seu primeiro ciclo. A pressão para apresentar resultados mais expressivos é alta, especialmente com a cúpula petista buscando fortalecer sua base ao lançar ex-governadores para o Senado. O futuro de sua administração depende da eficácia das ações que serão implementadas nesses meses finais.


