Aumento de Casos de Intoxicação por Metanol na Bahia
No interior da Bahia, uma das vítimas da grave intoxicação por metanol, ocorrida em Ribeira do Pombal, recebeu alta hospitalar na quinta-feira (1º). Laís Santana Dias, que estava sob cuidados no Hospital Geral Santa Tereza, deixou a unidade após apresentar uma melhora significativa em seu estado de saúde.
Ao todo, sete pessoas foram afetadas pela intoxicação. Dentre elas, três continuam internadas no hospital local, incluindo Maria Viviana Santos Almeida, que precisou ser admitida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas já foi transferida para a enfermaria. As outras duas pacientes que permanecem em observação são Josefa Soares de Almeida e Maria Clara Nascimento de Souza.
Além disso, três vítimas com quadro de saúde mais crítico foram transferidas para Salvador, onde estão sendo tratadas no Hospital Couto Maia. Entre essas pessoas, estão Daniele Barbosa do Carmo Matos, Vinícius Oliveira Vieira e Edicleia Andrade de Matos, que é madrasta da noiva e segue intubada. Familiares de Edicleia relataram que ela passou por um procedimento de hemodiálise devido a complicações renais, mas conseguiu melhorar a função renal posteriormente.
Contexto da Intoxicação e Ações das Autoridades
Vinícius Oliveira Vieira não tem vínculo familiar com as demais vítimas, mas adquiriu a mesma bebida no mesmo depósito que os outros intoxicados, um dia antes do noivado. Seis das pessoas afetadas consumiram a bebida durante a festa de celebração, enquanto a sétima pessoa ingeriu o produto no dia anterior ao evento. Todas as vítimas compraram a bebida no mesmo local em Ribeira do Pombal.
Após a confirmação dos casos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atuou rapidamente, emitindo um alerta com orientações para prevenir novas contaminações. Em comunicado, a Anvisa afirmou que está monitorando de perto a situação, colaborando com o Ministério da Saúde, as vigilâncias sanitárias locais e o Ministério da Agricultura. A agência assegurou que medidas de proteção à saúde pública seriam implementadas, incluindo ações de fiscalização e fornecimento de antídotos.
Fechamento de Estabelecimentos e Proibições
A Polícia Civil, em conjunto com a Vigilância Sanitária, lacrou o estabelecimento onde as bebidas contaminadas foram adquiridas. Além disso, outros dois locais na cidade também tiveram produtos apreendidos. Até agora, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não registrou novos casos suspeitos de intoxicação por metanol em Ribeira do Pombal ou nas cidades vizinhas.
A intoxicação foi oficialmente confirmada na quarta-feira (31), após um laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) que detectou a presença de metanol tanto nas bebidas apreendidas quanto nas amostras de sangue das vítimas. O metanol é uma substância altamente tóxica, capaz de causar lesões graves e até a morte.
Em resposta à situação crítica, a prefeitura de Ribeira do Pombal implementou uma proibição temporária de comercialização e consumo de bebidas alcoólicas destiladas no município. Essa medida, que estará em vigor até o dia 5 de janeiro, abrange bares, restaurantes, eventos, comércio ambulante e distribuições promocionais. A fiscalização ficará a cargo da Vigilância Sanitária Municipal e da Guarda Civil.
O Ministério da Saúde também se manifestou, informando que está acompanhando os casos e intensificando o envio de antídotos para a Bahia. Atualmente, o estado conta com 318 ampolas de etanol e 206 unidades de fomepizol, medicamentos utilizados no tratamento de intoxicações por metanol.
Entendendo o Metanol e Seus Riscos
O metanol, ou álcool metílico, ganhou notoriedade após a confirmação de mortes por intoxicação em diversas cidades do Brasil nos últimos meses. Este composto químico, que é incolor e inflamável, possui um cheiro e sabor que podem ser confundidos com o etanol, o álcool consumido em bebidas alcoólicas, tornando-o praticamente indetectável quando misturado a elas.
Embora o metanol seja essencial na indústria química para a produção de solventes, adesivos e outros produtos, sua toxicidade é alarmante. Mesmo em pequenas quantidades, pode ser letal para os seres humanos, destacando a necessidade de vigilância rigorosa e a conscientização sobre os riscos associados ao seu consumo.


