O Novo Capítulo do Carnaval de Salvador
O verão de Salvador ganha um novo e vibrante capítulo com a estreia do Grupo Recreativo de Ocupação Lacrativa Alfabeta. Este bloco, que surge no contexto do Carnaval, tem como objetivo ampliar horizontes culturais, homenagear memórias frequentemente silenciadas e reafirmar que o samba é, sem dúvida, um espaço respeitável de diversidade, especialmente para a comunidade LGBTQIAPN+.
Mais do que um simples desfile, o Alfabeta se estabelece como um movimento cultural e político, transformando o Carnaval em um verdadeiro espaço de pertencimento, representatividade e inclusão efetiva. Sua proposta é clara: resgatar e dar visibilidade a compositores e compositoras que contribuíram significativamente para a formação do samba brasileiro, mas que, historicamente, foram apagados por atitudes machistas, LGBTfóbicas e por exclusão social.
Baseado em pesquisas acadêmicas e na riqueza da cultura popular, o bloco homenageia figuras fundamentais na história do samba, como o carioca Ismael Silva e o baiano Assis Valente, celebrando a identidade e a diversidade que permeiam essa arte. O repertório do Alfabeta, portanto, é uma combinação de memória, identidade e uma forte afirmação política, reafirmando a essência viva e plural do samba.
A Inclusão e Acessibilidade em Foco
O Alfabeta fará sua estreia em grande estilo no dia 17 de janeiro, ao longo da Rua do Meio, localizado no Rio Vermelho, a partir das 15 horas. O bloco se destaca por suas adaptações pensadas para receber pessoas com deficiência, consolidando-se como um dos projetos mais inovadores do verão na capital baiana. Desde sua concepção, a acessibilidade tem sido uma prioridade, com iniciativas que vão além de mera adaptação, incorporando-a de forma estrutural.
Essas propostas se traduzem em ações palpáveis: durante o desfile, serão implementados diversos recursos de acessibilidade. O ator e modelo Maurício Rosário foi convidado a criar o sinal oficial do Alfabeta em Libras, um gesto simbólico poderoso que reconhece a importância da comunidade surda dentro do contexto carnavalesco.
Comunicação Digital Inclusiva
A proposta de inclusão do Alfabeta também se reflete na sua comunicação digital. O perfil oficial do bloco (@blocoalfabeta) é cuidadosamente elaborado para garantir acessibilidade, com postagens em carrossel que incluem texto alternativo e audiodescrição. Os vídeos disponibilizados contam com tradução em Libras e conteúdos organizados para assegurar a autonomia de acesso a pessoas cegas e surdas.
Construção Coletiva e Participação Ativa
O Alfabeta é um projeto que se constrói coletivamente. Atualmente, estão abertas inscrições para percussionistas LGBTQIAPN+ que queiram integrar a bateria do bloco, estimulando a participação de músicos que toquem cuíca, repique, caixa ou tamborim. Pessoas com deficiência são especialmente bem-vindas, e os ensaios acontecem na Quadra do Apaxes, no Dique do Tororó, sempre às segundas e quartas-feiras, nos dias 5, 7, 12 e 14 de janeiro, das 19 às 22 horas.
Adriano Marques, um dos idealizadores do bloco, destaca a importância deste projeto: “O Alfabeta é feito por e para a comunidade LGBTQIAPN+, mas é, acima de tudo, um bloco para todos. O essencial é resgatar uma história que foi escrita, mas não contada: a presença e o protagonismo da comunidade LGBTQIAPN+ no samba, que sempre esteve presente, criando, inovando e abrindo caminhos. Agora, podemos contar essa narrativa com a nossa própria voz.”.
Com uma proposta que integra estética, política e cultura, o Bloco Alfabeta promete ser um marco significativo no Carnaval contemporâneo, onde a diversidade, a arte, a acessibilidade e o senso de pertencimento se entrelaçam, reafirmando a vocação do samba como uma expressão coletiva, livre e transformadora.
O projeto “Alfabeta: Celebrando a Diversidade e Promovendo a Inclusão no Samba de Salvador” recebeu apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura, por meio da Lei Paulo Gustavo, uma iniciativa do Ministério da Cultura do Governo Federal.


