Expansão Internacional do Agronegócio Brasileiro
Nos últimos três anos, o agronegócio brasileiro conquistou 525 novos mercados internacionais, com 225 deles abertos apenas em 2025. Essa estratégia de expansão já alcança 82 países e 58 destinos apenas no último ano. De acordo com o Ministério da Agricultura, essas novas aberturas têm a promessa de aumentar as exportações do setor em até US$ 37,5 bilhões anuais ao longo dos próximos cinco anos, à medida que o fluxo comercial se consolide.
As iniciativas já resultaram em um acréscimo de US$ 3,4 bilhões na balança comercial do Brasil, com uma média impressionante de 14 novos processos de abertura sendo finalizados mensalmente.
Proteínas Animais na Liderança das Novas Aberturas
As proteínas animais destacam-se como as líderes nas novas aberturas de mercado, com 112 processos concluídos. Em seguida, o material genético animal e a alimentação animal somaram, respectivamente, 79 e 61 autorizações. O México figura como o principal destino, recebendo 24 aprovações para produtos brasileiros, segundo dados da plataforma Aberturas de Mercado da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.
Vale destacar que a abertura de novos mercados não significa que o comércio começará imediatamente. Cada nova autorização representa apenas a permissão sanitária para exportar um produto específico. Após essa etapa, são necessárias ações adicionais, como habilitação de empresas e registros, que podem levar de seis meses a um ano até a efetivação dos embarques.
Exportações do Agronegócio Batem Recordes
O impacto das novas aberturas no agronegócio é refletido nos números da balança comercial. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 155,25 bilhões, uma elevação de 1,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura. Isso representa 48,8% de todas as exportações brasileiras nesse intervalo.
Diversificação e Segurança Alimentar como Prioridades
Conforme explica o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, a abertura de novos mercados atende a dois eixos fundamentais: diversificação da pauta exportadora e a crescente demanda de outros países por segurança alimentar. Essa estratégia se intensificou após a aplicação de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em agosto. Apesar desse cenário, as vendas do agronegócio para os EUA recuaram apenas 4% no acumulado do ano, mantendo um saldo positivo.
Destaques nas Novas Aberturas do Agronegócio
Dentre os avanços significativos, destaca-se a liberação da carne bovina brasileira para o México, após 20 anos de negociações. Além disso, o Brasil iniciou a exportação de algodão para o Egito, sorgo para a China e carne de frango kosher para Israel. Outras 220 aberturas de mercado também foram ampliadas, permitindo a habilitação de mais empresas e uma maior abrangência regional, o que resultou em um adicional de US$ 7 bilhões na balança do agronegócio, conforme informações do ministério.
Carne Bovina: Ampliando Destinos e Reduzindo Dependência
O setor de carne bovina obteve 29 novos mercados durante o período de expansão. Segundo a Abiec, essa diversificação foi crucial para minimizar os efeitos das tarifas americanas. O presidente da entidade, Roberto Perosa, menciona que mercados como Vietnã, Indonésia e México se tornaram cada vez mais relevantes, com o México agora ocupando a segunda posição entre os maiores compradores da carne brasileira durante a escalada das tarifas dos EUA.
Prioridades para o Futuro
As aberturas de mercado para carne bovina no Japão, Coreia do Sul e Turquia estão entre as prioridades do setor. O Japão, em particular, é considerado um mercado de alto valor, atualmente suprido principalmente por fornecedores dos EUA e Austrália, e está avançando nas negociações.
Desafios Além das Aberturas Sanitárias
Para a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, embora as aberturas sejam essenciais, é igualmente vital que sejam acompanhadas de acordos comerciais que reduzam tarifas. Um exemplo citado é o acordo entre Mercosul e União Europeia, que prevê a redução de tarifas, mas se depara com barreiras paralelas, como a Lei Antidesmatamento do bloco.


