Infraestrutura e Desenvolvimento: Uma Urgência Baiana
No início de 2025, Waldeck Ornélas, especialista em planejamento urbano-regional e autor da obra “Cidades e Municípios: gestão e planejamento”, destacou uma série de projetos essenciais para o desenvolvimento da Bahia. Ele argumentou que a falta de infraestrutura representa um dos maiores obstáculos para o crescimento econômico do estado no século XXI. Em sua Agenda de Expectativas, Ornélas propôs um monitoramento contínuo das iniciativas ao longo do ano. Agora, é o momento de avaliar o que realmente foi alcançado.
A construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que abrange os trechos I e II, apresenta um progresso de 71% em suas obras. No entanto, ainda existem desafios significativos a serem enfrentados. A Bamin, responsável por concessões relacionadas à Fiol e ao Porto Sul, encontra-se em uma situação crítica, o que pode atrasar a conclusão das obras. A Infraestrutura prevê a finalização da Fiol II, que liga Caetité a Barreiras, para os próximos dois anos, mas sua operação depende da finalização da Fiol I e do Porto Sul.
Durante o ano, surgiram rumores sobre um possível empréstimo do governo da Bahia junto ao banco dos Brics para financiar o Porto Sul. Entretanto, a concessão da Ferrovia de Cargas (Fico-Fiol) está agendada para maio e o processo pode enfrentar dificuldades se o impasse envolvendo a Fiol I e o Porto Sul não for solucionado rapidamente.
Concessões e Rodovias: Um Cenário Crítico
A renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que abrange toda a malha ferroviária do estado, parece estar se encaminhando para um desfecho que poderá, finalmente, incluir a Ferrovia Minas-Bahia, ligando Corinto (MG) a Campo Formoso. Contudo, as condições para a reabilitação dessa linha ainda são incertas. Embora a renovação não atenda completamente aos interesses da Bahia, ela ainda preserva aspectos fundamentais do sistema de transporte.
A BR-324/116, um dos principais eixos rodoviários do estado, que também possui relevância nacional, foi recentemente recuperada da gestão anterior, a Via Bahia. No entanto, a situação precária do trecho de 108 km entre Salvador e Feira de Santana é um retrato do estado crítico da infraestrutura de transportes. A nova concessão, chamada Rota 2 de Julho, está programada para ser licitada em novembro de 2026, segundo o cronograma divulgado pelo Ministério dos Transportes.
A Bahia, que possui a segunda maior malha rodoviária do Brasil, enfrenta um desafio significativo em relação ao estado de suas rodovias estruturantes. Muitas delas estão em condições precárias e poucos leilões estão em discussão. A BR-101, tradicionalmente conhecida como Rio-Bahia, embora tenha um histórico turístico, agora também é um eixo vital para o transporte de cargas, especialmente em um cenário onde a BR-116 já está saturada.
Rodovias e Hidrovias: Necessidade de Investimentos
A BR-242, que transporta grãos do Oeste da Bahia para o Complexo Portuário da Baía de Todos os Santos e leva turistas de Salvador à Chapada Diamantina, está em condições inadequadas para lidar com o crescente fluxo de tráfego. Outras rodovias federais, como a BR-110, que liga Alagoinhas a Paulo Afonso, e as BRs 020/135 no Oeste da Bahia, necessitam urgentemente de atenção e investimento. A mesma situação se aplica à BR-030, que vai da divisa de Goiás até Camamu e à BR-235, que conecta a divisa de Sergipe a Juazeiro. Adicionalmente, a BR-324, após Feira de Santana, até a divisa com o Piauí, e a BR-415, de Ilhéus a Vitória da Conquista, também necessitam de melhorias.
Por outro lado, a Hidrovia do São Francisco, conhecida como o “rio da unidade nacional”, encontra-se paralisada e não faz parte das prioridades do Ministério dos Portos e Aeroportos, além de não ter finalizada sua delegação à Codeba. Apesar disso, existem duas articulações ferroviárias disponíveis: uma em Juazeiro, que foi desativada pela FCA, e outra em Bom Jesus da Lapa, onde a Fiol está sendo implantada. Outros projetos, como o Terminal Portuário de Ibotirama e o projeto de irrigação do Baixio de Irecê, estão sob gestão privada e têm potencial para impulsionar a economia local.
Portos e Exportações: O Futuro da Economia Baiana
O Complexo Portuário da Baía de Todos os Santos (BTS-Port) se destaca como um exemplo de sucesso. Os investimentos realizados nos últimos anos nos terminais como Tecon-Salvador e Porto de Aratu-Candeias, todos geridos pelo setor privado, mostram alinhamento com as demandas atuais. A criação da Rota Bahia-Ásia, que opera com navios Pós-Panamax, deu início à exportação de algodão, consolidando a Bahia como o segundo maior produtor do país, que anteriormente escoava sua produção quase que exclusivamente pelo porto de Santos.
Com a MSC assumindo o controle do Tecon-Salvador, novas rotas internacionais e incrementos na cabotagem estão a caminho. No entanto, ainda não foi definido o porto que será utilizado pela plataforma automobilística da BYD. A gestão da Codeba enfrenta desafios em meio a um processo de concessão parcial, que apresenta contornos nebulosos e pouco promissores.
Infelizmente, o esperado “ano de ouro” de 2025 não se concretizou. A Bahia continua aguardando por uma transformação significativa. A Agenda de Expectativas, inicialmente prevista para 2025, foi prorrogada para 2026, evidenciando a necessidade urgente de ações efetivas na infraestrutura do estado.


