Crescimento Sustentável na Produção de Petróleo
O Nordeste brasileiro, que já é responsável pela quase totalidade da produção terrestre nacional de petróleo e gás natural, ampliou sua participação no setor energético em 2025. A região passou de uma contribuição de 1,7% para 2% do total brasileiro, resultado da contínua expansão de campos maduros e do desenvolvimento de frentes gasíferas locais. O Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural, publicado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aponta um crescimento consistente na produção da região ao longo do ano. Vale ressaltar que, enquanto isso, o pré-sal ainda responde por 79,6% da produção total do país.
Atualmente, o Nordeste abriga cerca de 2.360 poços que produzem petróleo e gás, sendo aproximadamente 2.300 deles terrestres e cerca de 60 marítimos. Essa configuração representa 41% dos poços onshore do Brasil e 11% dos poços offshore, com uma operação predominantemente terrestre concentrada em cinco estados. Em termos de produção, a região obteve uma média de 100 mil barris de petróleo diários e 14 milhões de m³/dia de gás natural, dentro de uma produção nacional total de 4,9 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia (boe/d).
Concentração da Produção e Campos Ativos
Embora o Nordeste possua menos da metade dos poços ativos do Brasil, ele é responsável por mais de 90% da produção efetiva em terra, sustentada principalmente por campos operacionais nas bacias Potiguar, Recôncavo, Parnaíba e Sergipe-Alagoas, em um regime contínuo de extração. A evolução da produção na região em 2025 pode ser atribuída a três fatores principais: a revitalização de campos maduros nas bacias Potiguar e Recôncavo; a ampliação na Bacia do Parnaíba, que aumentou a relevância do gás natural na matriz energética local; além da entrada de operadores privados em contratos de acumulações marginais na Bahia, Alagoas e Sergipe.
A produção nordestina é distribuída entre cinco estados e quatro bacias, somando 160 mil boe/d, que correspondem a 3,2% da produção nacional total. As bacias Parnaíba, Recôncavo, Potiguar e Sergipe-Alagoas são responsáveis por toda a produção terrestre na região, com um total de 190 campos ativos. O Maranhão, que integra a Bacia do Parnaíba, alcançou 47,6 mil boe/d, enquanto a Bahia reportou 52,5 mil boe/d. O Rio Grande do Norte, por sua vez, opera com 36 mil boe/d, e Sergipe e Alagoas mantêm suas operações integradas.
Principais Poços e a Infraestrutura Produtiva
O Rio Grande do Norte se destaca na produção, com uma média de 29,9 mil barris/dia de petróleo e 949 mil m³/dia de gás, representando a Bacia Potiguar. A Bahia, por sua vez, registra 20,1 mil barris/dia de petróleo e 5,15 milhões de m³/dia de gás, proveniente da estrutura do Recôncavo. Sergipe e Alagoas, juntas, produzem cerca de 25 mil boe/d, enquanto o Maranhão, na Bacia do Parnaíba, atinge 7,55 milhões de m³/dia de gás natural, integrando produção e geração térmica sob a parceria com a Eneva.
A infraestrutura produtiva do Nordeste é robusta, com destaque para a presença de seis dos 30 maiores poços de petróleo do Brasil na região. O campo de Pilar, em Alagoas, registrou uma produção de 707 barris/dia, seguido pelo campo de Tiê, na Bahia, com 670 barris/dia. Outros poços notáveis incluem 7-TIE-11DP-BA e 7-TIE-14D-BA na Bacia do Recôncavo, além do poço 7-MA-34D-RN, que fica em Macau, na Bacia Potiguar.
Operadores e Produção Regional
A Bacia do Parnaíba posicionou três poços entre os 15 maiores produtores de gás onshore do Brasil, com volumes diários variando entre 254 mil e 323 mil m³. A estrutura produtiva do Nordeste, que mantém a principal malha terrestre do Brasil, é caracterizada por uma alta densidade de campos maduros, a implementação de programas de recuperação secundária e controle dos declínios de produção. Isso garante uma regularidade na extração e a manutenção de estoques locais de petróleo e gás.
A Petrobras se destaca no cenário, com uma produção de 4,39 milhões de boe/d em novembro de 2025, o que representa 89,35% da produção nacional, consolidando sua liderança no sistema marítimo. Já na região nordestina, operadores privados como PetroRecôncavo, 3R Petroleum, 3R Potiguar e 3R Bahia, entre outros, responderam por cerca de 60 mil boe/d, operando sob contratos de acumulações marginais. A Eneva, por sua vez, mantém uma colaboração direta entre produção e geração na Bacia do Parnaíba, contribuindo significativamente para a oferta regional de gás.


