Aliança Estratégica Entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro
No último domingo (1º), Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), revelou que ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, demonstrou intenções de dialogar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em vista das articulações eleitorais de 2026. A declaração foi feita durante sua participação no programa Canal Livre, da Band, e sinaliza uma possível aproximação entre os dois partidos na Bahia.
“ACM Neto já anunciou, quando estive na Bahia semana passada, que deseja ter uma conversa com Flávio”, comentou Costa Neto, ao analisar o cenário político do estado.
Reflexões Sobre a Estratégia de 2022
Durante a entrevista, Valdemar também fez uma análise crítica da atuação de ACM Neto nas eleições de 2022. Segundo ele, o ex-prefeito cometeu um erro significativo ao não se posicionar durante a disputa entre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O ACM Neto cometeu um erro muito grave na eleição passada. Ele não tinha candidato à Presidência da República, e isso foi um grande erro. Agora, a situação é diferente e ele está bem posicionado”, avaliou.
Naquela ocasião, ACM Neto optou por uma postura neutra, gerando diversas críticas da oposição. O slogan da sua campanha, “tanto faz”, se tornou um ponto de referência nas discussões políticas da época, especialmente por não ter manifestado apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno.
Perspectivas Para 2026
Diferentemente do pleito anterior, o cenário atual para 2026 é mais promissor para Neto. Em dezembro deste ano, ele confirmou sua candidatura ao governo da Bahia e se comprometeu a se opor a Lula em qualquer possível segundo turno. Vale lembrar que o estado é um dos bastiões eleitorais do presidente e está sob o comando do PT há quase duas décadas.
“Ficarei contra o PT e contra Lula”, declarou Neto em uma agenda pública em Porto Seguro.
Articulações Opositoras
Valdemar Costa Neto também projetou que a oposição na Bahia pode ter vantagens, especialmente ao abordar polêmicas ligadas ao Banco Master e ao atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O petista deverá compor uma chapa de “puro sangue” ou “puro ex-governadores” ao lado de Jaques Wagner (PT) e do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição.
“Na minha visão, eles estão em uma posição confortável hoje na Bahia, mas enfrentam muitos problemas no estado”, avaliou Costa Neto.
Construção da Chapa Opositora
As declarações de Valdemar acontecem em um momento crucial, à medida que as articulações para formar uma ampla frente oposicionista no estado ganham força. O ex-ministro e presidente do PL na Bahia, João Roma (PL), que se lançou ao governo em 2022 após um rompimento com Neto, é agora considerado um nome forte para o Senado na chapa liderada pelo ex-prefeito de Salvador.
Aliados veem a candidatura de Roma ao Senado como uma possibilidade de unir o União Brasil e o PL, o que poderia reforçar a aliança entre os dois partidos. Em 2022, a soma dos votos de ACM Neto e João Roma no primeiro turno superou a votação de Jerônimo Rodrigues (PT), que acabou sendo eleito no segundo turno.
Impacto Nacional das Articulações
A movimentação se dá em um contexto mais amplo, especialmente após a definição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. Valdemar enfatizou que Neto precisará construir relações com o PL e buscar um candidato para a Presidência. “Ele vai precisar do PL e de um candidato para a Presidência”, afirmou.
Em entrevistas anteriores, ACM Neto já havia ressaltado que a escolha de Flávio Bolsonaro não afetaria as articulações locais, afirmando que o diálogo com João Roma se daria “de baixo para cima”, sem imposições de caráter nacional. Contudo, a disposição de conversar diretamente com o senador destaca a intenção de alinhar os grupos.
Aprendizados de 2022 e Rumo ao Futuro
As eleições de 2022 são frequentemente citadas como um alerta estratégico para o pleito de 2026. ACM Neto liderou as pesquisas durante grande parte da campanha, mas foi superado por Jerônimo Rodrigues no segundo turno. Especialistas indicam que a falta de um posicionamento claro na eleição presidencial e a fragmentação entre a oposição contribuíram para esse resultado.
Atualmente, o discurso é de união. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), também tem defendido a construção de uma candidatura única da oposição na Bahia. O novo cenário sugere que o diálogo entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro pode ser parte de uma estratégia mais ampla de alinhamento nas disputas estaduais e nacionais, buscando evitar os erros do passado.
Enquanto isso, o grupo governista, liderado por Jerônimo Rodrigues (PT), está atento às movimentações da oposição. O cenário eleitoral já se desenha em um estado onde articulações para 2026 estão claramente em andamento — e a aproximação entre União Brasil e PL pode ser decisiva para moldar o futuro político na Bahia.


