Jones Manoel e os Perigos do Acordo Mercosul-UE
Na última quarta-feira (21), o militante e historiador Jones Manoel abordou, em uma entrevista ao Bahia Notícias, os riscos do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Com uma visão crítica, ele declarou que o tratado pode ser uma “tragédia total”, capaz de intensificar a desindustrialização no Brasil, afetando diretamente o polo industrial de Camaçari, na Bahia.
Jones, que se tornou conhecido por suas análises nas redes sociais, ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia se mostrado contra essa proposta durante seus primeiros mandatos, entre 2003 e 2010. De acordo com o militante, o acordo só favorece o agronegócio nacional, sem trazer benefícios reais para a indústria brasileira.
“Esse acordo demorou muito para ser concretizado porque, durante os governos Lula I e II, ele contava com a oposição de figuras importantes como Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia”, comentou Manoel, enfatizando a visão crítica do governo em relação ao que considera um pacto neocolonial.
A expressão “vacas por carros” foi utilizada por ele para descrever a relação desigual que o acordo representa, onde as exportações do agronegócio brasileiro ganham destaque em detrimento das indústrias locais, que, segundo ele, enfrentam um cenário de competição desleal com produtos europeus, de alta tecnologia.
Impactos da Desindustrialização na Bahia
Durante a entrevista, Manoel apontou a desindustrialização como um risco real e iminente. Ele argumentou que este processo compromete a criação de empregos de qualidade no Brasil, especialmente no polo de Camaçari, onde muitos trabalhadores dependem de vagas com salários mais altos.
“O acordo vai aprofundar a desindustrialização, destruindo empregos qualificados e afetando diretamente o povo baiano”, alertou. O militante fez questão de ressaltar que a situação do polo industrial é alarmante, podendo levar à sua eventual extinção caso o acordo se concretize.
“A classe trabalhadora da Bahia deve estar atenta. Se já enfrentamos redução de empregos desde o governo FHC, o acordo com a União Europeia pode ser o passo que faltava para o fechamento do polo de Camaçari. Não há benefícios concretos para o Brasil”, afirmou com ênfase.
Projeções Econômicas e Críticas ao Tratado
Jones Manoel também mencionou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que destacam as consequências econômicas do acordo. Segundo ele, as projeções indicam um crescimento de apenas 0,45% ao longo de 15 anos, o que representa uma média de apenas 0,03% ao ano.
Para o militante, esses números são irrelevantes diante dos potenciais danos estruturais que o acordo pode causar. “Na prática, isso não significa nada”, reiterou, ao criticar a superficialidade dos benefícios prometidos.
Ao concluir sua análise, Jones Manoel reafirmou a perspectiva de que o acordo pode trazer mais prejuízos do que vantagens. “Esse tratado irá prejudicar a geração de empregos qualificados no Brasil, aumentar o controle econômico por parte de investidores estrangeiros e afetar de maneira severa o polo de Camaçari, além de promover a destruição ambiental”, finalizou.
Com uma visão clara e preocupante sobre o futuro do Brasil, o militante chamou a atenção para a seriedade da situação e a necessidade de um debate amplo sobre o tema.


