Relações e Voo Privado
BRASÍLIA – A advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, que representa o Banco Master no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi protagonista de um episódio polêmico ao oferecer carona em um voo privado a dois filhos do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2025. A informação vem à tona em um momento em que as relações entre advogados, magistrados e o mundo empresarial estão sob a mira da sociedade.
Após o ocorrido, a advogada se manifestou, explicando que a viagem foi realizada em uma aeronave da qual é sócia. “Não houve vínculo comercial, prestação de serviços ou qualquer tipo de contrapartida”, esclareceu Camilla em nota. Essa explicação, no entanto, não elimina o questionamento sobre a ética envolvida em tal situação, especialmente considerando a proximidade entre os envolvidos.
Conexões no Judiciário
Camilla é casada com o desembargador Newton Ramos, que atuou como auxiliar de Nunes Marques durante a época em que este último ainda era desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A relação entre os três é antiga e repleta de interações no âmbito jurídico, o que torna ainda mais delicada a situação atual. As ligações pessoais dentro do Judiciário frequentemente levantam suspeitas sobre conflitos de interesse e a imparcialidade das decisões.
Documentos obtidos pelo Estadão revelam que Camilla, Newton, e os filhos do ministro – Kevin e Kauan – chegaram ao terminal de voos executivos do Aeroporto de Brasília às 14 horas, acompanhados de outros passageiros. Somente treze minutos após a chegada, um Learjet 45, com capacidade para sete pessoas, decolou rumo ao aeródromo privado em Trancoso, uma das mais procuradas vilas turísticas da Bahia, localizada no município de Porto Seguro. É interessante notar que essa aeronave possui múltiplos proprietários, incluindo a própria advogada.
Atuação no Banco Master
No campo profissional, Camilla Ramos atua como advogada do Banco Master, representando a instituição em três processos que envolvem a recuperação de créditos no setor de álcool. A procuração que a habilita a atuar em nome do banco foi concedida em 12 de dezembro de 2024. As relações entre o banco e os filhos do ministro Nunes Marques despertam ainda mais atenção, especialmente considerando que Kevin Marques recebeu entre agosto de 2024 e julho de 2025 um total de R$ 281 mil de uma empresa de consultoria tributária.
Curiosamente, a empresa de consultoria havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e, adicionalmente, R$ 11,3 milhões da JBS, famosa pela administração dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Este entrelaçamento financeiro e profissional entre os envolvidos levanta indagações sobre a transparência e possíveis conflitos de interesse que podem impactar o cenário jurídico e político do país.
Implicações para a Ética no Judiciário
A situação expõe uma rede de conexões que pode parecer comprometedora para os envolvidos, além de gerar um debate necessário sobre as práticas e a ética que devem ser seguidas no âmbito do Judiciário. As intersecções entre a atuação de advogados, magistrados e empresários, como observado neste caso, podem criar um ambiente propício para questionamentos sobre a lisura das decisões judiciais e a verdadeira independência do sistema.
À medida que o caso ganha destaque, especialistas e cidadãos estão atentos às possíveis consequências que isso pode acarretar para a confiança no Judiciário. A transparência nas relações estabelecidas é fundamental para assegurar que a justiça não apenas seja feita, mas que também seja vista como justa.


