Flávio Bolsonaro vence Lula em quatro cidades baianas vinculadas ao agronegócio
No primeiro turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em apenas quatro municípios da Bahia: Luís Eduardo Magalhães, no oeste; Buerarema, no sul; e Teixeira de Freitas e Itamaraju, no extremo sul do estado. No total, Flávio obteve 28,53% dos votos válidos no estado, enquanto Lula alcançou 66,17%, consolidando a Bahia como um dos maiores redutos do petista, atrás apenas do Piauí em termos de vantagem percentual.
Apesar da expressiva vitória de Lula, o avanço do bolsonarismo na Bahia é notável. A família Bolsonaro ampliou sua base em 19,3% em relação a 2022, quando Jair Bolsonaro concorreu à reeleição e obteve 24% dos votos no estado. Naquele pleito, Jair venceu apenas em Luís Eduardo Magalhães e Buerarema.
Contexto territorial e econômico influencia voto nas cidades onde Flávio venceu
Cientistas políticos consultados pelo g1 relacionam o crescimento do bolsonarismo nessas localidades a conflitos agrários e afinidades culturais e geográficas com outras regiões do país. Essas cidades são marcadas pela presença intensa do agronegócio, indústrias de celulose e tensões em torno da posse e distribuição de terras entre produtores rurais e comunidades tradicionais.
No sul e extremo sul baiano, onde estão Buerarema, Teixeira de Freitas e Itamaraju, os conflitos envolvem fazendeiros e indígenas, com registros de confrontos armados, feridos e mortos. Já no oeste, especialmente em Luís Eduardo Magalhães, as disputas territoriais incluem casos de grilagem e dificuldades enfrentadas por agricultores familiares.
Perfil das cidades que deram vantagem a Flávio Bolsonaro
Luís Eduardo Magalhães tem 107.909 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia local é baseada na agricultura mecanizada e tecnologias avançadas, posicionando a cidade como a quinta maior economia da Bahia, com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 8,8 bilhões. Em atividade política, Luís Eduardo Magalhães tem histórico de gestão por partidos de centro-direita. O atual prefeito, Junior Marabá (PP), manifestou apoio a Flávio Bolsonaro.
Buerarema, com 14.804 habitantes, possui economia centrada no comércio varejista, agricultura e pecuária. Os conflitos envolvendo indígenas Tupinambá e fazendeiros persistem, mesmo após a delimitação do Território Indígena Tupinambá, que abrange Buerarema e outros municípios. A cidade tem histórico político ligado ao Democratas (DEM), que hoje integra o União Brasil, e PSDB. O ex-deputado ACM Neto, líder da oposição ao PT na Bahia e candidato ao governo estadual, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto o prefeito Gel da Farmácia (União Brasil) apoia Jerônimo Rodrigues e Lula.
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Teixeira de Freitas é a oitava maior cidade da Bahia, com 145.216 habitantes. A economia local é pautada no comércio, agropecuária — destacando-se a produção histórica de mamão — e indústrias diversificadas. A gestão municipal tem alternado entre partidos de centro e centro-direita, com exceção do período em 2013, quando João Bosco Bittencourt (PT) governou. O atual prefeito, Doutor Marcelo Belitardo, eleito pelo Democratas (DEM) em 2020 e União Brasil em 2024, não declarou apoio público a candidatos presidenciais.
Itamaraju, também no extremo sul, conta com 59.605 habitantes e economia tradicionalmente ligada à produção de café e cacau, além da pecuária, que em 2023 chegou a registrar o maior rebanho do estado segundo a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A cidade tem sido administrada por políticos do PSDB, com o atual prefeito Jorge Almeida declarando apoio a Flávio Bolsonaro e ACM Neto nas redes sociais.
Especialistas relacionam avanço bolsonarista à economia e cultura regional
Gabriel Cavalcanti, cientista político formado pela Universidade de Campinas (Unicamp), destaca que o discurso bolsonarista, aliado ao fortalecimento do agronegócio e à flexibilização de políticas ambientais e de redistribuição de terras, encontra eco nessas regiões da Bahia.
“Parte do eleitorado definitivamente abraça essas ideias, considerando ainda o potencial produtivo agrícola e pecuário do sul do estado”, afirma Cavalcanti.
Claudio André, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), acrescenta que a proximidade sociocultural e geográfica dessas cidades com estados do Sudeste, onde o bolsonarismo é mais forte, reforça essa tendência. Ele aponta que essas regiões serão estratégicas para as candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro na reta final do pleito.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Disputa pelo voto e estratégias para o segundo turno
Além das quatro cidades onde Flávio Bolsonaro venceu, ele também teve desempenho expressivo em Eunápolis, Itabela e Nova Viçosa, todas no sul e extremo sul, com mais de 40% dos votos. Em 2022, Jair Bolsonaro já apresentava votação entre 35% e 43% nessas localidades.
Para o cientista político Claudio André, a disputa na Bahia, apesar da vantagem consolidada de Lula, ainda permite crescimento para ambos os lados. A reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) como governador, que venceu ACM Neto (União Brasil), será decisiva para a estratégia do PT no estado.
“As estratégias do PT e do presidente Lula na Bahia focam no avanço de votos, inclusive daqueles que optaram por Flávio Bolsonaro ou votaram branco e nulo no primeiro turno”, comenta André.
Gabriel Cavalcanti observa que Flávio Bolsonaro deve concentrar esforços nas regiões onde tem mais apoio, talvez expandindo a campanha para áreas semelhantes, como o Vale do São Francisco. “É improvável que ele consiga reverter votos em estados onde teve desempenho inferior a 35%, mas nessas regiões pode ampliar seu eleitorado”, analisa.
Com 47,03% dos votos válidos no país, Flávio lidera a disputa presidencial, seguido por Lula, que busca a reeleição com 45,16%. O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro, definindo o próximo capítulo da eleição.

