Transformações Urbanas e Econômicas no Oeste da Bahia
O agronegócio, em franca expansão na fronteira de Matopiba, tem provocado mudanças significativas não apenas no campo, mas também na configuração das cidades do oeste baiano ao longo das últimas décadas. Em lugares como Barreiras, a população passou de 40 mil para quase 160 mil habitantes desde os anos 1980, evidenciando o crescimento impulsionado pela agropecuária na região.
No município vizinho de Luís Eduardo Magalhães, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou em impressionantes 2.000% nas últimas duas décadas, refletindo a urbanização acelerada resultante da atividade agrícola. O que antes eram pequenas vilas, agora se consolidaram como importantes centros econômicos, profundamente conectados ao agronegócio.
Luís Eduardo Magalhães, que era um simples distrito de Mimoso do Oeste, teve um crescimento populacional espetacular, passando de 18 mil habitantes para mais de 107 mil, de acordo com o IBGE em 2022. O PIB da cidade saltou para R$ 11,5 bilhões em 2023, quase 20 vezes maior do que há 20 anos. Hoje, a cidade é reconhecida como a capital baiana do agronegócio e um dos principais polos de serviços e tecnologia agrícola.
Mariana Viveiros, Supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, destaca que LEM é a cidade com o maior crescimento populacional do estado. Segundo ela, essa atração se deve às oportunidades de trabalho que surgem com o crescimento econômico. “Nos municípios do Matopiba, o aumento populacional está diretamente relacionado à força do agronegócio e dos serviços associados”, afirma.
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A Transformação Pessoal e Econômica de Produtores Rurais
O economista Odacil Ranzi, que deixou o Rio Grande do Sul em 1980 para se instalar na região, testemunhou de perto toda essa transformação. Ele lembra que, na época, o que hoje é a capital do agro era apenas um local de sobrevivência. “Eu cheguei a morar em uma barraca de lona. A infraestrutura era precária, e o acesso a serviços básicos era limitado, mas havia um enorme potencial”, recorda.
Com o tempo, esse potencial se concretizou. “No início, cultivávamos arroz em áreas pequenas e depois expandimos para a soja e o milho”, conta Ranzi. “A soja, que antes exigia 10 sacas por hectare, agora tem uma produtividade muito maior, fruto da tecnologia e pesquisa.”
Os números corroboram essa evolução: o valor da produção agrícola de Luís Eduardo Magalhães subiu de R$ 305 milhões em 2005 para R$ 2,4 bilhões em 2024, um crescimento extraordinário.
“O agronegócio impulsiona o desenvolvimento, não apenas no campo, mas também na cidade. Ele movimenta o comércio, gera renda e cria oportunidades”, explica Ranzi, que, por meio desse crescimento, diversificou os investimentos da sua família em áreas como fruticultura e ramo imobiliário.
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O Aquecimento do Comércio e das Infraestruturas Urbanas
Nei Villares, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Luís Eduardo Magalhães, observa que o progresso do agronegócio se reflete nas obras urbanas e no dinamismo do comércio local. “O comércio se fortalece com a venda de máquinas agrícolas e a chegada de redes atacadistas. O setor da construção civil está em alta, impulsionado pelo aumento populacional e pelos novos negócios”, detalha.
A cidade já conta com 25 mil empresas ativas, com 7,5 mil delas abertas no ano passado. O crescimento trouxe também investimentos significativos, como a instalação da INPASA, um projeto de R$ 2 bilhões que promete gerar 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
O avanço do agronegócio não se limita a Luís Eduardo Magalhães. A cidade de Balsas, no Maranhão, outro polo do Matopiba, também tem visto um desenvolvimento urbano notável, ligado à eficiência logística e mecanização agrícola.
Impactos do Agronegócio na Região de Matopiba
O impacto do agronegócio se estende a diversos municípios. Luiz Carlos Bergamaschi, vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, ressalta que cidades como São Desidério e Formosa do Rio Preto também estão sendo transformadas pelo avanço do setor. “O agronegócio gera emprego e fortalece o comércio e os serviços locais, alterando a dinâmica econômica das cidades”, afirma.
Ramon Souza, piloto de drone, observa que o crescimento do agronegócio trouxe maior demanda por serviços especializados e infraestrutura. “A implantação do sistema agrícola na região foi fundamental para a minha formação e inserção no mercado de trabalho”, relata.
Barreiras, por sua vez, se destaca como um centro regional de saúde e educação, com várias instituições de ensino superior e uma rede de serviços de saúde robusta. Joaquim Pedro Soares, secretário de Agricultura e Tecnologia de Barreiras, afirma que a cidade é um pilar comercial da região, promovendo não apenas o agronegócio, mas também um setor de serviços em constante evolução.
Por fim, Ricardo Scartazzini, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Barreiras, salienta que, embora o agronegócio continue sendo o motor da economia, o comércio local começa a apresentar maior autonomia e diversificação, reduzindo a dependência exclusiva da agricultura.


