Circulação cultural que une poesia, música e oficina
O poeta e performer baiano Alex Simões retoma sua produção literária e artística no interior da Bahia, passando pelos municípios de Diogo e Massarandupió. A programação inclui uma oficina de poesia e técnicas básicas de encadernação intitulada “Tudo métrica e rima num caderno”, o relançamento do livro Assim na terra como no Selfie e a apresentação de uma performance híbrida batizada de “poerformance”, que mistura poesia e música ao vivo.
Este projeto leva a literatura para além da página, criando encontros entre palavra, corpo, música, imagem e cotidiano. A circulação começou em Lisboa, no Casulo Espaço Cultural, e chega agora ao interior baiano, onde o público poderá acompanhar as diferentes etapas da programação.
Memória afetiva e polo criativo em foco
Alex Simões escolheu Diogo e Massarandupió não apenas por laços pessoais, mas também por reconhecer nesses locais um polo criativo que vem sendo construído. O poeta recorda seus verões na região desde o final dos anos 1990 e destaca a participação do diretor artístico Tiago Ribeiro, que mantém vínculos com a localidade e contribuiu para o desenvolvimento do projeto.
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“Escolhi esses municípios por serem lugares muito queridos em minha memória afetiva, tanto como pessoa quanto como artista, além das relações profissionais e pessoais que mantemos nessas localidades”, explica Simões.
“Poeformance”: uma nova forma de experimentar a poesia
A “poeformance” é o eixo central do circuito cultural e nasceu em 2023. A parceria de Alex com o músico Ivan Huol substituiu o baterista original, Antenor Cardoso, por motivos pessoais. A ideia surgiu de uma experiência de leitura de poemas ao som da bateria, que uniu textos de Cacilda Póvoas, Maxim Malhado e o próprio Simões.
O projeto mistura poemas do próprio Alex com obras de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Caetano Veloso, além de referências aos movimentos dadaísta, modernista e tropicalista, e até ao Inferno de Dante Alighieri. A proposta é tirar a poesia da página para que ela ocupe o espaço compartilhado com o público, unindo palavra, voz, música e corpo em uma apresentação que atravessa tempos e linguagens.
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Livro reúne experimentações e reflexões do cotidiano
Assim na terra como no selfie, relançado durante a circulação, reúne poemas escritos em diferentes momentos, mas organizados durante a pandemia de covid-19. O livro reflete inquietações pessoais e coletivas diante de um momento político e social conturbado. Para Alex, a escrita foi uma forma de resistir e expressar sua estupefação diante do mundo e das relações humanas.
O título do livro ganha significado ao se inspirar em notícias sobre mortes decorrentes de tentativas perigosas de selfies, simbolizando riscos e fragilidades da vida contemporânea. A obra apresenta uma diversidade de estruturas poéticas, jogos de linguagem e aproximações com a oralidade e a performance.
Projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc
O projeto de Alex Simões foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura e executados pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A iniciativa reforça a importância da circulação cultural no interior do estado e aproxima o público das linguagens contemporâneas da poesia e da performance.

