O Protagonismo do Arco Norte nas Exportações de Grãos
A região do Arco Norte tem se consolidado como um ponto crucial para o escoamento de grãos no Brasil. O Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), localizado no Porto do Itaqui, encerrou o último ano como a peça central dessa transformação, ampliando significativamente os volumes embarcados e se firmando como uma alternativa viável aos corredores tradicionais do Sul e Sudeste.
Durante o ano passado, o consórcio TEGRAM-Itaqui movimentou cerca de 13,5 milhões de toneladas de grãos, distribuídas em 202 navios, com destino principalmente aos mercados da Europa e da Ásia. Esses números reforçam a importância do corredor logístico como uma alternativa competitiva aos portos do Sul e Sudeste, especialmente para os produtores localizados no Centro-Norte do Brasil.
Desse total, 11,7 milhões de toneladas foram de soja e 1,8 milhão de toneladas de milho, conforme o balanço divulgado pelo consórcio. A operação tem atendido, em sua maioria, a produção do MATOPIBA — que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — além do Nordeste de Mato Grosso, regiões que têm aumentado sua participação nas exportações brasileiras nos últimos anos, resultado do aumento da produtividade e da diminuição da distância média até os portos.
A ascensão do Tegram ocorre em um momento estratégico para o agronegócio nacional. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa é que a safra de grãos atinja 354,8 milhões de toneladas em 2025/26, o que demanda maior eficiência logística para evitar gargalos no processo de escoamento. Nesse cenário, o Arco Norte se destaca por reduzir custos de frete, encurtar o tempo de viagem e diminuir a dependência dos corredores tradicionais.
Investimentos e Expansão do Tegram
Com uma experiência de dez anos em operação, o Tegram se tornou fundamental para a reorganização da logística agrícola brasileira. Atualmente, sua estrutura conta com uma capacidade estática de armazenagem de 500 mil toneladas, distribuídas em quatro armazéns, além de moegas rodoviárias que podem receber mais de 900 caminhões diariamente e um sistema ferroviário com capacidade para descarregar simultaneamente oito vagões, aumentando a previsibilidade nas operações.
Essa evolução operacional é acompanhada de um novo ciclo de investimentos. A terceira fase de expansão do terminal prevê um aporte significativo de R$ 1,16 bilhão, com foco na construção de um terceiro berço de atracação. Isso resultará em um aumento na capacidade anual do complexo em 8,5 milhões de toneladas, elevando o potencial total para cerca de 23,5 milhões de toneladas por ano.
A ampliação do Tegram visa acompanhar o crescimento estrutural da produção de grãos no Centro-Norte e firmar o Porto do Itaqui como um dos maiores complexos exportadores do Brasil. Para o setor, o avanço do terminal representa não apenas um aumento na capacidade, mas uma transformação na geografia logística do agronegócio nacional, com reflexos diretos na competitividade, nas margens dos produtores e na inserção do Brasil no mercado global de alimentos.


