O Futuro Brilhante das Artes na Bahia
O cenário para o teatro na Bahia promete ser promissor, especialmente até 2026, conforme perspectiva apresentada pelo secretário de Cultura do estado, Bruno Monteiro. Ele vê um futuro repleto de oportunidades, destacando o retorno da Sala Principal do Teatro Castro Alves, previsto para o primeiro semestre deste ano, e o fortalecimento da formação de novos talentos artísticos.
Em uma conversa franca com o Bahia Notícias, Monteiro afirmou: “É um momento muito auspicioso para as artes na Bahia e tenho certeza de que os frutos disso serão vistos, reconhecidos e colhidos ao longo dos próximos anos”. Sua fala se alinha a um contexto mais amplo, dado que a cultura baiana foi tema de debate em 2025, quando o ator Wagner Moura questionou a necessidade de mais investimento nas artes durante a apresentação do espetáculo ‘Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo’ no Trapiche Barnabé.
Naquela ocasião, Moura, indicado ao Oscar, expôs sua preocupação de que o governo do estado deveria priorizar mais políticas públicas voltadas para a arte, uma vez que, segundo ele, o espectro político atual é fundamental para garantir igualdade social e oportunidades culturais.
“Eu sou fruto do teatro dos anos 90, que foi uma época muito positiva para a cena teatral da Bahia. Me formei e sou artista porque vivi um período de efervescência nas artes aqui”, disse Moura, apontando a necessidade de apoio governamental. Ele ainda destacou que o teatro popular na Bahia parece estar abandonado e que a atenção para essa área é crucial.
Em resposta a essas preocupações, Bruno Monteiro defendeu a atual administração, assegurando que não houve redução nos investimentos destinados ao teatro. O secretário contradiz as críticas de Moura, enfatizando que os aportes financeiros e a infraestrutura para o setor cultural aumentaram nos últimos anos.
“Os investimentos no teatro estão maiores hoje em dia do que em anos anteriores, tanto em infraestrutura quanto em dinamização e programas de formação”, declarou. Monteiro reconheceu que o ponto levantado por Moura sobre a formação de novos artistas é pertinente, mas se comprometeu a revitalizar esses programas no estado. “Ele [Moura] mencionou que no início de sua carreira existia uma série de iniciativas de formação, e é exatamente isso que vamos reativar”, expôs.
A requalificação do Teatro Castro Alves, por exemplo, contará com um investimento significativo de R$ 280 milhões, com o intuito de proporcionar mais espaço e melhores condições para a produção cultural local. “O TCA vai crescer em termos de espaço. Teremos um centro técnico, um novo local para experimentação artística, além de melhorias na fabricação de cenários e figurinos. Isso beneficiará não apenas o teatro, mas toda a cadeia cultural da Bahia”, garantiu o secretário.
Outro desafio enfrentado pela cena teatral baiana é a escassez de locais para apresentações. Em 2025, uma mobilização intensa surgiu em defesa do Teatro Gamboa, que conseguiu apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e até um show de Gilberto Gil para arrecadar fundos necessários à sua manutenção.
Para Monteiro, a Bahia está atravessando um momento de intensa mobilização cultural e novos espaços estão sendo recuperados. Ele acredita que a reforma do TCA pode servir como um atrativo para investidores interessados em novos empreendimentos culturais na capital baiana. “A falta do Teatro Castro Alves mostrou a necessidade de mais equipamentos culturais. Além do TCA, também entregaremos o Teatro do Iceia, que tem grande potencial para acolher novos projetos e promover a formação artística”, completou.
Monteiro ressaltou a importância de que a responsabilidade pela cultura não recaia unicamente sobre o governo. Ele anunciou que até o final de 2026, Salvador verá a reativação do TCA e a inauguração do novo Centro Cultural Banco do Brasil no Palácio da Aclamação, mas a sociedade também precisa se mobilizar.
“Não adianta apenas cobrar do poder público por mais espaços para a cultura. O trabalho deve ser compartilhado. Estamos cuidando da pauta do Teatro Gamboa e já formamos parcerias com o Banco do Brasil para o novo CCBB, buscando integrar mais teatros à vida cultural da população”, concluiu.
No panorama municipal, a criação de um novo teatro sob a gestão da Prefeitura de Salvador vem sendo discutida desde 2023. O presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro, comentou sobre a importância desse projeto, mas ressaltou que a iniciativa depende do prefeito.
“Os teatros em Salvador são mantidos com grande esforço. É inacreditável que não haja um teatro em shopping centers aqui, enquanto cidades como São Paulo já possuem. Acredito que há uma lentidão nesse processo”, lamentou Guerreiro.
Ele prometeu que a questão voltará a ser debatida na Prefeitura ao fim de 2024. No entanto, em 2025, a evolução das discussões não foi divulgada publicamente. O presidente da FGM enfatizou a necessidade de reconhecer espaços culturais além dos tradicionais. Ele citou o programa Boca de Brasa, que busca descentralizar a cultura e levar formação e oficinas para comunidades periféricas.
“Hoje, temos teatros nos Bocas de Brasa, que são frequentemente esquecidos pela mídia. Um teatro em Cajazeiras é um sucesso, com programação cheia, e temos um espaço maravilhoso em Valéria. É essencial valorizar essa descentralização cultural e reconhecer a importância desses locais para a comunidade”, finalizou.


