Um Encontro para Celebrar a Diversidade
No dia 29 de janeiro, a Biblioteca Central do Estado da Bahia irá receber uma programação especial em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade Trans. Intitulado “Vozes em Travessia: a palavra e a autoria trans”, este evento, promovido pela Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA), visa promover um espaço de diálogo e reflexão sobre a produção literária e artística de pessoas trans. A iniciativa reafirma o compromisso da Fundação com a diversidade e a inclusão no cenário cultural brasileiro.
Com início marcado para às 17h, o encontro reunirá escritores, poetas e artistas que atuam na literatura trans, destacando narrativas que transitam por temas como corpo, memória, afeto, espiritualidade e luta. A programação é rica e variada, incluindo rodas de conversa com autores, intervenções poéticas, performances artísticas e apresentações musicais, criando um ambiente propício para a troca de ideias e a valorização da voz trans no espaço cultural.
Thiffany Odara, escritora e doutoranda em Educação, enfatiza a importância do evento para dar visibilidade às trajetórias de pessoas trans no âmbito acadêmico e artístico. “Este encontro serve como um reflexo da força e da resiliência de vozes que muitas vezes são marginalizadas, mas que transmitem mensagens poderosas através da literatura”, observa Thiffany. Para ela, a literatura se configura como um ato político que pode transformar realidades e desafiar o preconceito.
Uma Literatura que Transforma Vidas
O projeto “Vozes em Travessia” não se limita à celebração, mas busca também criar um espaço de diálogo interseccional que reafirma a relevância da literatura trans no Brasil. A proposta vai além da escrita como simples expressão artística; trata-se de um gesto político que recria identidades e abre perspectivas para futuros possíveis. Em um contexto onde a população trans enfrenta diversas formas de marginalização, o evento visa ser um marco de resistência e afirmação cultural.
O 29 de janeiro, além de ser uma data emblemática, simboliza a luta por direitos e reconhecimento da comunidade trans no Brasil. A data faz referência a uma campanha nacional que começou em 2004, promovendo a visibilidade e discutindo as reivindicações de travestis e pessoas trans em um cenário de marginalização social. O evento na Bahia busca dar continuidade a essa luta, ampliando a discussão sobre diversidade e a importância de garantir acesso a espaços culturais.
“Em um ambiente onde a literatura frequentemente silencia vozes, o encontro “Vozes em Travessia” se propõe a colocar a escrita trans no centro das atenções, promovendo o acesso à palavra como um direito fundamental”, destaca Sandro Magalhães, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon. Ele acredita que garantir essa visibilidade é um passo essencial para democratizar a cultura e promover a justiça social.
A Luta Contra a Transfobia
Bruno Santana, professor e ativista trans, também expressa seu apoio à iniciativa, ressaltando que o evento enfrenta diretamente a lógica transfóbica que insiste em invisibilizar corpos trans. “Essa celebração reconhece a literatura como um meio poderoso de resistir à exclusão e à vulnerabilidade que muitos enfrentam. As palavras trans não apenas sobrevivem; elas constroem narrativas de memória e possibilidades futuras”, afirma Bruno.
A programação do evento inclui performances poéticas que transformam a palavra escrita em ação, destacando a conexão entre o corpo e a expressão artística. Dentre os destaques, a abertura musical será realizada por Meg Azevedo, seguida por uma roda de conversa com temas que abordam a literatura como gesto político, além de intervenções artísticas que prometem envolver o público em uma experiência rica e reflexiva.
Serviço do Evento
O encontro “Vozes em Travessia: a palavra e a autoria trans” será realizado na Biblioteca Central do Estado da Bahia, localizada na Rua General Labatut, 27, Barris, no dia 29 de janeiro de 2026, das 17h às 21h20. Não perca a oportunidade de fazer parte deste momento significativo na luta por diversidade e inclusão na literatura brasileira.


