Bahia e a Triste Estatística das Eliminações na Pré-Libertadores
Na última quarta-feira, 25, os torcedores do Bahia que estiveram na Arena Fonte Nova deixaram o estádio com um sentimento doloroso, comum entre os amantes do futebol brasileiro: a frustração de ver seu time eliminado da Libertadores antes mesmo do início da fase de grupos. A derrota nos pênaltis para o O’Higgins, após uma vitória de 2 a 1 no tempo regulamentar, acrescentou mais um capítulo à triste narrativa de clubes brasileiros que, nas últimas temporadas, têm enfrentado dificuldades nas fases preliminares da competição.
A eliminação do Bahia se insere em uma sequência que já dura quase uma década, na qual vários times brasileiros têm sido eliminados antes de alcançar os grupos da Libertadores, mesmo com campanhas consistentes no Campeonato Brasileiro. Esta rotina negativa é um reflexo da situação atual do futebol nacional, onde equipes que terminam entre os primeiros lugares da tabela acabam vendo seus sonhos de Libertadores desmoronarem nas etapas iniciais da competição.
Nove Anos de Eliminações
Desde a eliminação da Chapecoense diante do Nacional-URU em 2018, pelo menos um clube brasileiro por ano não consegue superar as fases preliminares da Libertadores. Agora, em 2026, o Bahia se une a essa lista, que inclui diversos clubes notáveis. A sequência de eliminações é a seguinte:
- 2011 – Corinthians x Deportes Tolima (segunda fase)
- 2018 – Chapecoense x Nacional-URU (segunda fase)
- 2019 – São Paulo x Talleres (segunda fase)
- 2020 – Corinthians x Club Guaraní (segunda fase)
- 2021 – Grêmio x Independiente del Valle (terceira fase)
- 2022 – Fluminense x Club Olimpia (terceira fase)
- 2023 – Fortaleza x Cerro Porteño (terceira fase)
- 2024 – Red Bull Bragantino x Botafogo (terceira fase)
- 2025 – Corinthians x Barcelona Sporting Club (terceira fase)
- 2026 – Bahia x O’Higgins (segunda fase)
O Corinthians, com três eliminações nesse intervalo, lidera a estatística negativa, enquanto o Bahia vive sua primeira frustração nesta etapa da competição.
Impactos da Eliminação Precoce
A saída precoce da Libertadores não se resume apenas ao abalo emocional dos torcedores. Ela acarreta consequências diretas, como a perda de um calendário internacional e impactos financeiros significativos. Com isso, a situação gerou desconforto na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que tentou, sem sucesso, negociar com a Conmebol uma mudança nas vagas brasileiras, buscando a classificação direta à fase de grupos.
Apesar da eliminação do Bahia, o Brasil ainda conta com um representante na Pré-Libertadores. O Botafogo conseguiu avançar e disputará a última etapa antes da fase de grupos, mantendo acesa a esperança de um clube brasileiro no torneio. Para o Bahia, no entanto, a situação é preocupante. Com a nova diretriz da CBF, que impede times que participam de competições da Conmebol de jogarem a Copa do Nordeste, o Esquadrão de Aço só terá o Campeonato Baiano, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro para competir até o final do ano.
Uma Nova Era de Dificuldades
Essa série de eliminações se torna ainda mais significativa quando se observa que, antes desse período, quedas de clubes brasileiros na pré-Libertadores eram eventos pontuais. Um exemplo notório é a eliminação do Corinthians em 2011, quando o time foi surpreendido pelo Deportes Tolima, mesmo contando com a presença do famoso atacante Ronaldo. Atualmente, a fase preliminar deixou de ser apenas um obstáculo e passou a ser vista como uma verdadeira armadilha para clubes que, por muitas vezes, não conseguem se reencontrar no cenário internacional.


