Bahia Se Consolida como Referência em Terras Raras
A corrida internacional por terras raras, elementos essenciais para diversas tecnologias e para a transição energética, agora tem um forte competidor: a Bahia. O estado brasileiro já abriga aproximadamente 40% das áreas de pesquisa relacionadas a esses minerais, consolidando-se como o principal polo nacional e começando a atrair a atenção do mercado internacional.
Essa ascensão da Bahia não se limita ao aspecto geológico; a dimensão econômica é igualmente impressionante. De acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil, o estado possui ambientes geológicos diversos que favorecem a formação de terras raras, aumentando as oportunidades para exploração em maior escala.
Com isso, a Bahia se posiciona no centro de uma disputa global onde poucos países dominam o acesso e a exploração desses recursos valiosos.
Bahia: Um Polo de Pesquisa em Terras Raras
O volume de projetos de exploração em terras raras coloca a Bahia em um patamar elevado no cenário nacional e com promissora projeção internacional. Em uma entrevista ao portal A Tarde, Williame Cocentino, diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), destacou: “A Bahia é o estado com o maior número de pesquisas em terras raras do Brasil. Atualmente, cerca de 40% das áreas de pesquisa estão na Bahia”. Ele ainda acrescenta que os resultados obtidos até agora evidenciam o potencial do estado para se tornar um importante jogador nesse mercado tanto nacional quanto internacional.
Embora muitos dos projetos ainda estejam nas etapas iniciais, a quantidade de áreas estudadas já sugere uma significativa mudança na economia baiana.
A Nova Economia do Vale do Jiquiriçá e Jequié
Atualmente, o epicentro das atividades relacionadas a terras raras na Bahia localiza-se no interior do estado, especialmente nas regiões de Jequié e no Vale do Jiquiriçá. Cocentino afirma que os principais depósitos de terras raras da Bahia estão concentrados nessas áreas, onde várias empresas, principalmente australianas, têm reportado teores elevados de minerais, superando a média global.
Essas regiões têm se destacado por apresentar projetos que proporcionam resultados extraordinários, tanto pela quantidade quanto pela qualidade dos depósitos.
Diversidade de Depósitos: O Diferencial da Bahia
Um dos aspectos mais atraentes para os investidores é a variedade de depósitos encontrados na Bahia, algo raro em comparação com outras potências minerais. Cocentino explica que “existem diferentes tipos de mineralizações, com terras raras associadas tanto a argilas iônicas quanto a rocha dura, sendo esta última a que apresenta maior teor”.
Os dois modelos de depósitos são relevantes na Bahia:
- Argila iônica: terras raras adsorvidas em solos argilosos, cuja extração é mais simples e apresenta menor impacto ambiental, semelhante ao modelo dominante na China.
- Rocha dura: depósitos primários com alta concentração, que requerem um processamento mais complexo, mas oferecem maior valor econômico.
Um dado que impressiona o setor é que os teores de rocha dura na Bahia estão acima de 10.000 PPM, enquanto a maioria dos depósitos em outras partes do mundo varia entre 1.000 e 3.000 PPM.
Um Mapa Mineral Diversificado
A mineração na Bahia não se restringe a uma única região. Estudos do Serviço Geológico do Brasil e dados da Agência Nacional de Mineração revelam um território rico e variado em potencial mineral.
Os principais polos de pesquisa e exploração incluem:
- Complexo de Jequié / Vale do Jiquiriçá: a principal área de exploração, incluindo os municípios de Ubaíra, Jiquiriçá, Amargosa e Itagi, onde há presença de argila iônica e rocha dura.
- Projeto Lagoa Real: foco em terras raras associadas ao urânio.
- Faixa Araçuaí: depósitos relacionados a granitos alcalinos e pegmatitos.
- Cráton do São Francisco: estruturas geológicas antigas promissoras.
- Extremo sul (Prado e Alcobaça): áreas com areias pesadas contendo monazita.
Elementos das Terras Raras e Seu Valor Econômico
As terras raras englobam um grupo de 17 elementos químicos cruciais para a tecnologia contemporânea, divididos em terras raras leves e pesadas. Entre os mais valiosos estão o neodímio, o térbio e o disprósio, amplamente utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos tecnológicos avançados.
A exploração de terras raras já atraiu a atenção de empresas internacionais, especialmente dos Estados Unidos e Austrália, que buscam diversificar suas cadeias produtivas em resposta à concentração atual na Ásia. Cocentino observou que “uma empresa americana está atuando no extremo sul do estado, além de outras australianas na região”.
Investimento e Verticalização: O Futuro da Economia Baiana
A estratégia do governo da Bahia envolve não apenas a exploração, mas a organização e facilitação do acesso à áreas promissoras. “Encontramos áreas de pesquisa e oferecemos à iniciativa privada por meio de licitação, com o intuito de reduzir riscos para investidores”, afirmou Cocentino.
O objetivo a longo prazo é transformar a economia locais por meio da verticalização, que implica em processar os minerais dentro do estado, o que inclui a produção de óxidos de terras raras e desenvolvimento industrial. Essa iniciativa pode gerar empregos qualificados e impulsionar a integração com setores de energia e logística.
As terras raras são, sem dúvida, o “ouro invisível” da economia moderna, presente em diversas tecnologias fundamentais do século 21, como carros elétricos, energia renovável, chips de inteligência artificial e equipamentos militares. Com um potencial mineral expressivo e avanços nas pesquisas, a Bahia não é apenas uma promessa; ela se torna uma peça-chave no tabuleiro econômico global.


