Oportunidades e Desafios da Baía de Todos os Santos
A Baía de Todos os Santos, um dos tesouros naturais mais conhecidos do Brasil, há 500 anos é objeto de discussões intensas. No entanto, apesar das numerosas conversas e debates, as ações concretas para promover seu verdadeiro potencial são escassas. O evento realizado nesta sexta-feira (10), durante o Bahia Export 2026, trouxe à luz novas propostas para impulsionar a infraestrutura da região.
O painel “A Baía de Todos-os-Santos, a Singapura das Américas e capital da Amazônia Azul” foi presidido pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Salvador (Semdec), Mila Paes. O encontro, que ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep, reuniu cerca de 250 líderes do setor público e privado. O objetivo era promover o diálogo sobre como a infraestrutura portuária e a chamada economia azul podem ser ferramentas transformadoras para a realidade econômica da região.
Especialistas do setor também estiveram presentes para discutir os gargalos e soluções pertinentes, como Guilherme Nogueira Dutra, da Wilson Sons, Josias Cruz, da Aciclem, e Waldeck Ornélas, do Instituto Desenvolve Bahia. Durante os debates, a secretária Mila Paes traçou um paralelo entre a Baía de Todos-os-Santos e Singapura, enfatizando a vocação marítima de Salvador como um entreposto logístico vital.
Segundo Mila, a localização estratégica da capital baiana a coloca em uma posição privilegiada entre a América, a África e a Europa. “Temos uma eficiência logística de padrão internacional nos portos da Baía de Todos-os-Santos. O potencial de atração de cargas do oeste da Bahia é muito grande. Nosso estado é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, e esse escoamento por aqui pode reduzir custos de transporte e logística”, afirmou.
A secretária acredita que a economia do mar pode ser a principal via para a reversão econômica de Salvador. “Já somos a capital da Amazônia Azul, mas é hora de definirmos nosso destino, assim como Singapura fez no passado, ao se estabelecer como um polo logístico e de exportação. Não podemos ignorar o papel do mar na evolução econômica da cidade”, declarou.
Desafios na Logística e a Necessidade de Planejamento
O diretor comercial da Wilson Sons, Guilherme Nogueira Dutra, ressaltou a importância do planejamento a longo prazo. “Pensar em Salvador seguindo os passos de Singapura é um desafio interessante, mas que requer um planejamento sólido. É algo que não pode ser concluído rapidamente. Precisamos deixar o imediatismo de lado e focar no futuro, especialmente em relação à multimodalidade e a corredores de transporte eficientes, algo que Singapura começou a desenvolver na década de 1960”, analisou.
Dutra apontou também a necessidade de melhorar os acessos logísticos para aumentar a eficiência. “A acessibilidade deve ser uma prioridade. Além disso, investir na qualificação da mão de obra, especialmente para motoristas voltados para o transporte de carga, é fundamental”, acrescentou.
Para Waldeck Ornélas, do Instituto Desenvolve Bahia, superar o isolamento logístico da Bahia é crucial para o desenvolvimento do estado. “A Bahia tem apresentado um desempenho de desenvolvimento aquém do esperado, e o isolamento logístico é um fator que pesa muito. Ao melhorar a eficiência e atrair investimentos, poderemos avançar significativamente”, afirmou.
Ele também enfatizou a importância das ferrovias para a integração regional. “É necessário estruturar um plano claro para que Salvador se torne o principal porto do Matopiba. Projetos devem ser interligados para garantir uma infraestrutura eficiente. A retomada da Ferrovia Centro-Atlântica é essencial para expandir as possibilidades portuárias, trazendo impactos positivos para o polo logístico de Valéria”, disse.
Josias Cruz, presidente da Aciclem, trouxe a perspectiva do escoamento do algodão, ressaltando a necessidade de cuidar do que já existe. “O transporte rodoviário é eficaz, mas o Brasil, com suas dimensões continentais, precisa qualificar ainda mais seus modais. Atualmente, Salvador está exportando cerca de 20% do algodão, e essa tendência deve crescer. Portanto, o transporte rodoviário requer atenção contínua”, destacou.
A discussão sobre a Baía de Todos os Santos revela um potencial imenso para transformar Salvador em um polo logístico de referência. Contudo, a efetivação dessas propostas depende do comprometimento e da implementação de ações concretas que superem as barreiras históricas e logísticas que ainda restringem o desenvolvimento da região.


