Impactos das Novas Regras Contábeis e Inadimplência
O Banco do Brasil divulgou seu balanço financeiro referente ao ano de 2025, revelando um lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 20,7 bilhões. Apesar de ser um valor considerável, essa cifra representa uma queda acentuada de 45,4% em comparação ao ano anterior, conforme os dados apresentados na noite de quarta-feira, 11. O resultado negativo foi desencadeado, em grande parte, por novas normas contábeis e um significativo aumento na inadimplência.
O estudo da instituição mostra que, mesmo enfrentando essas dificuldades, a geração de receitas experimentou um crescimento. O Banco do Brasil destacou que o aumento nas receitas financeiras, provenientes de crédito a pessoas físicas e do Programa Crédito do Trabalhador – que simplifica a contratação de crédito consignado para funcionários do setor privado – tem contribuído para suavizar a situação. Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, afirmou: “Foram desembolsados R$ 13 bilhões no crédito do trabalhador, uma demonstração que reafirma nossa expectativa declarada de que iríamos crescer em linhas com melhor retorno ajustado ao risco”.
Novas Normas Contábeis e Seus Efeitos
Um fator crucial que impactou os resultados foi uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada em 2021 e que começou a vigorar em janeiro de 2025. Essa normativa alterou a forma de contabilização das provisões financeiras, que são reservas para cobrir possíveis inadimplências, passando a considerar a perda esperada, com base em estimativas. Essa mudança implicou que o banco não reconhecesse cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito, o que contribuiu para a queda acentuada do lucro.
Aumento da Inadimplência e Seus Efeitos no Setor
A inadimplência também apresentou um aumento significativo, subindo de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no final de 2025. Esse crescimento foi particularmente influenciado pelo setor do agronegócio, onde o Banco do Brasil é um grande protagonista na concessão de crédito. Além disso, a inadimplência das carteiras de pessoas físicas fechou o ano em 6,56%, um aumento de 0,55 ponto percentual.
Crescimento do Crédito Apesar da Crise
Contrariando a tendência de aumento da inadimplência e da alta de juros, o Banco do Brasil ampliou seus empréstimos em 2025, especialmente para pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,296 trilhão, um aumento de 2,5% em relação a 2024. Detalhando por segmento, as informações são as seguintes:
- Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões ao final de dezembro, com alta de 1,8% no trimestre e 7,6% em um ano. A nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores da CLT foi responsável por R$ 14,3 bilhões emprestados.
- Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões, com crescimento de 0,5% no trimestre e 0,6% no ano. Destaque para grandes empresas, que totalizaram R$ 260,4 bilhões, um aumento de 4,3% em 12 meses.
- Agronegócio: R$ 406,13 bilhões, com alta de 1,8% no trimestre e 2,1% no ano. No primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, o banco destinou R$ 103,9 bilhões ao agronegócio, além de R$ 12,3 bilhões para a cadeia de valor do setor.
- Carteira de Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões, voltados para atividades que geram impactos sociais e ambientais positivos, apresentando alta de 7,3% em 12 meses.
Desempenho das Receitas e Projeções Futuras
A receita de prestação de serviços do Banco do Brasil também sofreu uma leve diminuição de 1,9% em relação a 2024, totalizando R$ 34,813 bilhões. Entretanto, essa redução foi suavizada pelo crescimento nas receitas provenientes de gestão de fundos (+13,5%), taxas de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%).
Por outro lado, as despesas administrativas subiram para R$ 34,813 bilhões, um aumento de 5,1% face ao ano anterior, em grande parte devido a ajustes salariais e investimentos em tecnologia e segurança cibernética.
O Banco do Brasil projeta uma recuperação significativa para 2026, com expectativas de lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, e um crescimento da carteira de crédito variando de 0,5% a 4,5%. Além disso, as receitas de prestação de serviços devem crescer entre 2% e 6%, enquanto as despesas administrativas devem aumentar entre 5% e 9%. O custo do crédito, considerando perdas esperadas, pode oscilar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.


