Declarações do Ministro
Em audiência realizada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, dia 18, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou categoricamente a existência de bases chinesas em solo brasileiro. A declaração ocorre em resposta a um relatório elaborado por um grupo do Congresso dos Estados Unidos, que alega que o Brasil abrigaria uma base militar secreta da China em Salvador.
O documento menciona uma suposta instalação, identificada como Estação Terrestre de Tucano, que funcionaria na capital baiana e estaria vinculada à empresa brasileira Ayla Space. Essa companhia, atuante no setor aeroespacial, possui uma parceria com a Beijing Tianlian Space Technology, uma companhia chinesa do mesmo ramo.
“Não existe estação, nem antena, nem operação chinesa, nem parceria militar, nem qualquer elemento que justifique as ilações descritas no relatório ou nas denúncias subsequentes. Estamos hablando, portanto, de especulações derivadas de notícias de internet, cujos conteúdos foram descontextualizados e distorcidos”, afirmou Vieira em sua fala.
Esclarecimentos sobre a Alya Space
O ministro Vieira explicou que a Alya Space apenas negociou um memorando preliminar de entendimento com empresas de outros países, incluindo a China e os Estados Unidos, mas esses diálogos não se desenvolveram. A empresa foi descrita por ele como uma “startup embrionária e autofinanciada” localizada em Salvador, que ainda está em processo de obtenção de licença junto à Anatel.
Vieira enfatizou que a suposta estação não possui contratos firmados, operações em andamento ou qualquer infraestrutura associada. “O relatório trata de cooperação científica brasileira com suspeição e desconhecimento técnico, avalizando um viés geopolítico ultrapassado, que considera a América Latina e o Caribe como mero quintal ou áreas de influência dos Estados Unidos”, criticou o ministro.
Alyra Space: Uma Iniciativa Privada Ambiciosa
A Alya Space, criada no final de 2019 e localizada na Avenida Tancredo Neves, um dos principais centros financeiros de Salvador, se posiciona como uma das iniciativas mais promissoras do setor espacial brasileiro. Focada na observação da Terra, a empresa planeja lançar uma constelação de 216 satélites em órbita baixa, equipados com sensores ópticos e de radar de alta resolução, com capacidade de gerar imagens a cada 10 minutos.
A empresa está dividida em duas fases de lançamento: Alya-1 e Alya-2, e mantém um contrato estimado em cerca de US$ 675 milhões, que, no câmbio da época do fechamento do negócio, representava aproximadamente R$ 3,4 bilhões. Esse investimento reflete a ambição da Alya Space em atuar em áreas estratégicas, como agronegócio, mineração, monitoramento ambiental, cidades inteligentes, energia limpa e resposta a desastres naturais.
Além disso, a empresa planeja a instalação de quatro estações terrestres no Brasil, localizadas em Cuiabá, Sorocaba, Bahia e Maranhão, assim como centros de controle e processamento de dados para suportar suas operações. A proposta da Alya Space é não apenas inovadora, mas também representa um marco para o futuro da tecnologia espacial no Brasil.


