Bahia se Destaca na Cena Literária Nacional
A Bienal do Livro da Bahia, considerada a terceira maior do Brasil, somente atrás das bienais de São Paulo e Rio de Janeiro, está cada vez mais consolidada no cenário cultural do país. Após um hiato de nove anos sem edições entre 2013 e 2022, o evento busca superar as expectativas com a previsão de atrair mais de 120 mil visitantes nesta nova edição, superando o recorde anterior de cem mil pessoas.
De acordo com Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions, que organiza a feira, houve um aumento significativo na participação de selos editoriais independentes e locais nos estandes. “Em 2013, a presença da produção local era quase inexistente. Agora, a programação refletirá essa diversidade, com quase todas as sessões contando com autores baianos ou que possuem ligação com o estado”, ressalta Zaccaro.
Transformações no Mercado Editorial Influenciam a Bienal
Essas transformações no mercado editorial são fundamentais para entender o fenômeno da Bienal. O setor editorial passou a buscar maior diversidade em seus catálogos, permitindo uma representação mais ampla de autores que não estão concentrados apenas no eixo Rio-São Paulo. Além disso, eventos literários em todo o Brasil têm se aberto mais a editoras independentes, proporcionando novas oportunidades.
Joselia Aguiar, jornalista e escritora que atua como uma das curadoras do evento, enfatiza que a Bahia já possui uma cena literária rica e diversificada, independentemente das mudanças em nível nacional. Em 2022, a Bahia organizou mais de cem festas literárias, conforme dados da Fundação Pedro Calmon. “As transformações que vimos em todo o Brasil são mais evidentes na Bahia, que já apresentava um cenário vibrante”, afirma Joselia, que também atuou como curadora da Festa Literária Internacional de Paraty em 2017 e 2018.
Um Espaço para Autores Locais
A Bienal de 2022, que marcou a retomada do evento, já mostrava sinais dessa mudança. “Notamos um aumento significativo no interesse, com mesas que comportavam 150 pessoas atraindo 400 participantes”, conta Joselia. A bienal, portanto, começou a perceber que Salvador se destaca nesse contexto.
O escritor Evanilton Gonçalves, autor de “Ladeira da Preguiça” (Todavia), participa pela primeira vez da Bienal e vê a valorização da literatura local como uma chance para o público. “Muitas pessoas da Bahia ainda não sabem que publiquei um romance. A cada dia, recebo mensagens nas redes sociais de pessoas surpresas ao descobrir que sou de Salvador e estarei na Bienal com meu livro”, revela.
A Nova Geração de Autores
Outros autores também marcam presença e trazem suas histórias e vivências, contribuindo para a diversidade do evento. Bethânia Pires Amaro, vencedora do Prêmio Sesc de Literatura com o romance “O Ninho”, cresceu na Bahia e busca inspiração em suas vivências familiares. “A Bahia exporta cultura e pensa o mundo por meio de sua identidade”, destaca.
Elayne Baeta, que teve uma trajetória de vida singular ao trabalhar em uma funerária antes de se tornar uma das autoras mais vendidas do país, traz seu livro “O Amor Não É Óbvio”, que se destaca como o primeiro best-seller juvenil nacional com protagonistas lésbicas. “A literatura deve refletir a diversidade da experiência humana”, afirma Elayne.
Por fim, Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má no YouTube, é autora de “Como se Livrar de um Relacionamento Ordinário” e, em 2025, lançará seu livro infantil “A Menina Que Não Sabia Que Era Bonita”. A obra aborda a jornada de uma jovem negra na busca por autoaceitação e autoestima, refletindo ainda mais a riqueza cultural da Bahia.


