Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco Dominam o Setor de Cabotagem
A movimentação de cargas por cabotagem nos portos do Nordeste atingiu a impressionante marca de 60,7 milhões de toneladas em 2025. Desse total, 91,6%, ou 55,6 milhões de toneladas, concentraram-se apenas em quatro estados: Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco. Esses números foram revelados em um levantamento da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que evidencia a concentração geográfica das operações na região. Embora o volume total tenha crescido em relação aos 60,3 milhões de toneladas do ano anterior, a distribuição entre os estados permaneceu inalterada.
A Bahia liderou essa movimentação, contabilizando 15,3 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Madre de Deus, localizado em Madre de Deus, foi responsável por uma expressiva carga de 9,6 milhões de toneladas, predominantemente de granel líquido, com petróleo bruto e seus derivados como principais itens. Esse volume representa um aumento de 9,62% em comparação a 2024. O Porto de Salvador, por sua vez, movimentou 1,8 milhão de toneladas, com um perfil de carga majoritariamente conteinerizado. Já o Porto de Aratu registrou uma movimentação de 304 mil toneladas, com foco em granéis líquidos e produtos químicos relacionados ao Polo Petroquímico de Camaçari. As 3,6 milhões de toneladas restantes foram distribuídas entre terminais privados não especificados nos dados públicos da Antaq.
Maranhão e Ceará em Destaque na Cabotagem
O Maranhão, por sua vez, movimentou 14,6 milhões de toneladas, sustentado em grande parte pelo Terminal Portuário Privativo do Alumar, em São Luís, que sozinho registrou 10,1 milhões de toneladas — o maior volume individual entre os terminais do Nordeste. Essa carga é composta majoritariamente por bauxita, redistribuída por cabotagem para plantas industriais em outras regiões do Brasil. O Porto do Itaqui, também em São Luís, movimentou 36,8 milhões de toneladas no total, porém apenas 2,5 milhões foram por cabotagem, dado que opera principalmente em longos cursos, com soja, fertilizantes e milho como cargas principais.
No Ceará, a movimentação total alcançou 12,9 milhões de toneladas. O destaque vai para o Terminal Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, que contribuiu com 7,8 milhões de toneladas em cabotagem de um total de 20,5 milhões movimentados. Entre os principais itens de carga estão contêineres, minério de ferro, ferro e aço, além de carvão mineral. O Porto de Fortaleza também se destacou, registrando 2,2 milhões de toneladas em cabotagem com petróleo, trigo e contêineres como principais cargas.
Pernambuco e os Desafios da Cabotagem
Pernambuco completou o grupo dos quatro estados que mais se destacaram com 12,8 milhões de toneladas. O Porto de Suape, localizado em Ipojuca, foi responsável por 9,9 milhões de toneladas em cabotagem, que equivale a 77% do total estadual. O terminal tem predominância no transporte de granel líquido, associado ao fluxo de petróleo bruto e seus derivados da Refinaria Abreu e Lima. As movimentações de contêineres também são expressivas, totalizando 7,6 milhões de toneladas no complexo. O Porto do Recife, por sua vez, registrou 46 mil toneladas em cabotagem, operando majoritariamente em longos cursos com açúcar, produtos químicos e fertilizantes.
Marco Legal e Aumento da Capacidade Regional
A Lei nº 14.301/2022, que institui o Programa BR do Mar, traz uma mudança significativa ao setor: ela isenta o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para cargas que têm origem ou destino em portos do Norte e Nordeste. Essa medida visa a redução do custo do frete marítimo na região. Além disso, a legislação permite que operadoras afretam embarcações estrangeiras a casco nu — até 50% da tonelagem de suas frotas —, promovendo a expansão de rotas sem a necessidade de construção imediata em estaleiros brasileiros.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, enfatiza que a estabilidade regulatória do programa é essencial para fortalecer a cabotagem como uma alternativa estratégica na matriz de transportes, ampliando sua contribuição para o desenvolvimento regional. Com isso, o mercado de cabotagem pode se diversificar e crescer.
Outros Estados e Futuro da Cabotagem Nordestina
Os cinco estados que não fazem parte do núcleo de movimentação, incluindo Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe, dividiram as 5,1 milhões de toneladas restantes. O Porto de Maceió movimentou 2,5 milhões de toneladas, com 371 mil toneladas em cabotagem. A principal carga inclui açúcar, fertilizantes e petróleo. O Porto de Cabedelo, na Paraíba, registrou 1,2 milhão de toneladas no total e 531 mil em cabotagem, principalmente de petróleo e derivados. Por sua vez, o Porto de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, movimentou 3,4 milhões de toneladas, com cabotagem de 1,4 milhão, tendo como principal carga o sal.
O Ministério de Portos e Aeroportos ainda não divulgou metas de volume para 2026, mas o PAC prevê ampliações em terminais nordestinos, aumentando a capacidade de atracação e permitindo que estados atualmente fora do núcleo possam capturar parcelas relevantes da cabotagem nacional.


