Transformação e Expansão da Cacau Show
A Cacau Show não se contenta em ser apenas uma fabricante de chocolates. Com um modelo de negócios em constante evolução, a empresa está se reinventando para oferecer experiências únicas aos consumidores. A reportagem da Bloomberg Línea revela que, ao longo dos últimos anos, a companhia tem ampliado sua presença no mercado com a introdução de sua rede de hotéis, sob a marca Bendito Cacao, e a construção de um parque temático, o Cacau Park, situado no interior de São Paulo.
Segundo Alê Costa, fundador e CEO da marca, o objetivo é criar um verdadeiro “ecossistema”. Em entrevista, ele afirmou: “Cacau Show não é apenas uma indústria de chocolates. Estamos traçando um caminho que se estende além do varejo tradicional.” A expectativa é que, nos próximos três a cinco anos, as novas experiências possam representar até 50% da receita total da holding.
História e Crescimento
A trajetória da Cacau Show começou em 1988, mas Alê Costa já fabricava ovos de chocolate quando ainda era adolescente. A primeira loja física do grupo foi inaugurada em 2001, e, desde então, a companhia se estabeleceu como um gigante no setor, contando atualmente com 4.714 lojas espalhadas pelo Brasil.
Apesar do crescimento, a empresa enfrenta desafios, especialmente relacionados ao aumento dos custos de produção. O preço do cacau subiu drasticamente, saltando de cerca de US$ 3 mil para quase US$ 12 mil por tonelada. “Isso impactou nosso lucro em quase 50%”, revelou Costa, que decidiu não repassar todo o aumento aos franqueados, priorizando a manutenção da rede e a expansão a longo prazo.
Investimentos em Suprimentos
Para contornar as oscilações de preços, a Cacau Show tem estabelecido contratos de compra de cacau que se estendem até 2026 e 2027. Com uma pequena produção própria na Fazenda Dedo de Deus, no Espírito Santo, a empresa garante cerca de 85 toneladas de cacau por ano, o que representa apenas 5% da demanda total.
A maior parte do cacau é adquirida de fornecedores como Cargill e Barry Callebaut, que operam em regiões como o Oeste da Bahia e na África Ocidental, especialmente em países como Costa do Marfim e Gana. No futuro, Costa almeja aumentar a produção própria, buscando terras para implementar um modelo mais eficiente, diminuindo a dependência do mercado externo.
Novas Frentes de Negócios
Com a produção de chocolate atingindo 40 mil toneladas em 2025 e uma meta de crescimento de 14% para este ano, a Cacau Show continua a diversificar suas operações. Atualmente, a companhia gerencia dois resorts, ambos com o nome Bendito Cacao, um localizado em Águas de Lindóia e outro em Campos do Jordão. As diárias nesses resorts variam de R$ 1.188 a R$ 3.164, dependendo da acomodação.
Além disso, a empresa está construindo um parque temático em Itu, um projeto ambicioso que promete movimentar cerca de R$ 2,5 bilhões. Esta iniciativa foi acelerada após a aquisição do grupo Playcenter, mas suas raízes remontam a 2010, quando a Cacau Show tentou comprar o Beto Carrero. “Estamos levando nossa paixão pelo chocolate para novas experiências”, enfatizou Costa.
Metas Ambiciosas até 2030
As novas experiências, embora ainda representem uma fração das receitas da empresa — menos de 5% atualmente —, têm potencial para mudar essa dinâmica. A Cacau Show busca atingir R$ 10 bilhões em faturamento no sell-in e R$ 20 bilhões no sell-out até 2030, com um foco especial em datas comemorativas, como a Páscoa, que ainda é um período crucial para o negócio.
Para 2026, a expectativa é de um aumento de 13,6% nas vendas durante a Páscoa, com a produção estimada em 25,5 milhões de ovos de chocolate. Parte relevante das vendas da Cacau Show também vem de produtos licenciados, que atraem especialmente o público infantil, representando entre 25% e 30% do faturamento durante a Páscoa.
Conectando Negócios e Experiências
Costa destaca que todas as frentes da Cacau Show estão interligadas: “Não são negócios separados. É o cacau e o chocolate sob várias perspectivas.” A empresa também está testando o mercado internacional com operações iniciais nos Estados Unidos e na Colômbia, mas, no curto prazo, o foco é consolidar os investimentos no Brasil, especialmente no parque temático. “Estamos estruturando nosso ecossistema para o futuro”, finalizou Costa.


