Uma Festa de Alegria e Diversidade
O Carnaval do Pelourinho se consolidou como um dos mais vibrantes eventos da Bahia, atraindo mais de 600 mil foliões durante os dias de celebração, que ocorreram entre a quinta-feira (12) e a terça-feira (17) de 2026. O Centro Histórico da cidade foi transformado em um espaço de confraternização, onde diferentes ritmos e culturas se encontraram em um ambiente acolhedor. Ao todo, cerca de 150 atrações animaram o público em mais de 250 horas de música.
Com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, a festa contou com a participação de artistas consagrados e novos talentos da cena musical contemporânea. Além dos shows, a programação incluiu bailes para crianças, desfiles de agremiações e apresentações de microtrios e nanotrios, proporcionando uma experiência diversificada para todos os públicos.
O secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, destacou a importância do evento. “Nos últimos anos, o Carnaval do Pelourinho se firmou como um dos principais circuitos da folia e, em 2026, demonstrou uma força especial. A diversidade das atrações dialogou com um público igualmente diverso, que vê no Pelô um espaço de encontro e tradição. Encerramos esta edição com a certeza de que fortalecer este circuito é preservar a memória cultural da Bahia e democratizar o acesso à maior festa popular do mundo”, afirmou.
Uma Programação Diversificada
A programação teve início na quinta-feira com apresentações de artistas como Carla Visi, Sarajane e Márcia Short. Na sexta-feira, o destaque foi o encontro entre Rachel Reis e Os Gilsons, além das performances de Lazzo Matumbi e do tradicional Olodum. O reggae também foi um dos ritmos em evidência, com shows de Adão Negro e Sine Calmon, que trouxeram um toque especial ao evento.
No sábado, a diversidade musical continuou a brilhar, com Majur e Afrocidade subindo ao palco, a última recebendo a rapper Duquesa como convidada. O intercâmbio de linguagens foi reforçado pela apresentação da Nação Zumbi, que misturou maracatu e frevo, enquanto Mariene de Castro e Larissa Luz trouxeram ao público performances marcadas pela ancestralidade e protagonismo feminino.
O domingo foi dedicado ao samba, com as apresentações de Nelson Rufino, Sandra Sá e Gerônimo, enquanto o projeto “Folia Delas” celebrou a força feminina na música baiana, reunindo Graça Onasilê, Nina Sol e Lílian Casas. A segunda-feira manteve o clima de celebração com Davi Moraes, Pepeu Gomes e Chico César, que animaram o público.
A noite de terça (17) foi marcada pela profundidade musical de Luedji Luna, enquanto Vandal e Ministereo Público entregaram uma performance envolvente, misturando reggae e rap. Quabales se destacou ao convidar MV Bill, apresentando uma fusão de Hip Hop com percussão que cativou os presentes.
Um Espaço Seguro e Acolhedor
O Carnaval do Pelô se destacou também por ser um espaço seguro, com a presença de ações voltadas para todas as idades e sem registros de violência. O Baile Infantil, realizado na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, foi um dos pontos altos para as famílias, trazendo atrações como Lilica Rocha e a banda Canela Fina, que proporcionaram uma infraestrutura adequada ao público infantil.
A festa ainda contou com a distribuição de mais de 70 mil litros de água pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) em ações de hidratação, além de pontos de apoio ao folião promovidos pela Caixa Econômica, que também trouxe iniciativas festivas como o uso de glitter biodegradável.
O Legado do Axé Music
Com o apoio do Ministério da Cultura e da Caixa Econômica Federal, o palco do Largo do Pelô apresentou uma grade de atrações que exemplificou a pluralidade que o Carnaval 2026 ofereceu. Artistas como Criolo, que atraiu uma multidão no último dia, reforçaram a importância do Centro Histórico como um espaço que valoriza a música e a cultura locais. Criolo expressou seu apreço: “É um lugar que sempre nos fortaleceu na ideia de que podíamos fazer algo diferente e transformá-lo em nosso território”, enquanto o DJ Dandan completou: “Contribuir para que essa energia se propague é especial e importante”.
Outro momento marcante foi a homenagem ao Dia Nacional da Axé Music, realizada na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, com apresentações de Ângela Velloso e Guiga Maraka, além de uma performance conduzida pelo Maestro Luciano Calazans e Taís Nader. O evento começou com um show de Marcionílio, o primeiro homem negro a comandar os vocais da Banda Eva, que emocionou os foliões ao se juntar a outros grandes nomes para celebrar a força do Axé Music.
O projeto, idealizado por Manno Góes, teve como objetivo valorizar a sonoridade do gênero, levando o público a perceber a riqueza da música baiana, além da festa rítmica que todos conhecem. “Quis trazer uma roupagem que as pessoas conhecem pouco, valorizando harmonias e letras. Nossa música é poderosa”, explicou Manno, que conseguiu reunir um coletivo de cantores para homenagear o legado do Axé.


