Redução drástica da rede física e impacto no quadro de funcionários
A Casas Bahia iniciou uma nova fase de reestruturação, marcada pelo fechamento de 298 lojas em todo o país, o que equivale a cerca de 28,7% do total das unidades existentes em março. Essa redução é inédita na história da varejista, que até então vinha diminuindo sua presença física de forma gradual, com ajustes anuais de algumas dezenas de lojas. O movimento ocorreu entre os dias 13 e 14 de abril, e faz parte de um programa mais amplo de corte de despesas que será detalhado ao mercado em breve.
Além do fechamento das lojas, a empresa promoveu cortes significativos em seu quadro de funcionários. Na quinta-feira, foram demitidas 600 pessoas, e a previsão para a sexta-feira indicava entre 1,3 mil e 1,4 mil desligamentos. No total, essas medidas representam a perda de cerca de 1,9 mil a 2 mil empregos, o que corresponde a 6,7% do efetivo da companhia.
Contexto financeiro e causas da crise
O cenário delicado da Casas Bahia tem origem nos resultados negativos apresentados recentemente. No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo alcançou 1,064 bilhão de reais, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de 408 milhões de reais. Em 2025, o prejuízo acumulado da empresa chegou próximo a 3 bilhões de reais.
Um dos principais fatores que pressiona as finanças da varejista são as despesas financeiras elevadas, influenciadas por um ambiente de juros altos. No primeiro trimestre, o resultado financeiro líquido foi negativo em 1,171 bilhão de reais. Além disso, o endividamento das famílias brasileiras limita a recuperação do consumo, dificultando o aumento das vendas.
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Fonte: daquibahia.com.br
Em 2024, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial diante do desequilíbrio em sua estrutura de capital. Apesar do acordo com os bancos ter solucionado parte dos problemas, a empresa ainda enfrenta o peso das despesas financeiras e a necessidade de melhorar sua rentabilidade.
Crescimento do digital e retração da loja física
Enquanto a operação física encolhe, o comércio eletrônico da Casas Bahia segue crescendo. No primeiro trimestre de 2026, a receita bruta consolidada subiu 6,4%, alcançando 8,8 bilhões de reais. A receita líquida teve alta de 6,1%, chegando a 7,416 bilhões de reais. O lucro bruto avançou 6,5%, para 2,247 bilhões de reais, e o Ebitda ajustado cresceu 4,7%, totalizando 597 milhões de reais, com margem estável em 8,1%.
O volume bruto de mercadorias no e-commerce cresceu 5%, atingindo 11,2 bilhões de reais, com o comércio eletrônico registrando alta de 14,6% e acumulando seis trimestres consecutivos de crescimento. Em contraste, o número de lojas físicas diminuiu: ao final de 2025, a rede contava com 1.042 unidades, ante 1.064 em 2024 e 1.078 em 2023. Nos 12 meses encerrados em março, a companhia fechou 26 lojas, entre Casas Bahia e Ponto Frio.
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Fonte: decaruaru.com.br
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Fonte: belzontenews.com.br
Desafios e perspectivas da reestruturação
O recente anúncio de fechamento de quase 30% das lojas indica uma redução de escala muito mais agressiva do que as realizadas anteriormente. A empresa busca com essa estratégia diminuir sua estrutura de custos, melhorar a geração de caixa recorrente e voltar a apresentar resultados positivos, além de equilibrar a operação entre os canais físico e digital.
Porém, os cortes terão impacto financeiro inicial, pois o encerramento de lojas e os desligamentos geram custos antes que as economias se consolidem. A Casas Bahia também alterou a data de divulgação do balanço do segundo trimestre para o dia 14, com teleconferência marcada para o dia 17, quando devem ser apresentados detalhes do plano de redução de despesas.
O tamanho dos ajustes evidencia a pressão para ajustar uma estrutura que ainda cresce operacionalmente, principalmente no digital, mas que convive com prejuízos elevados e o peso das despesas financeiras. A expectativa é que a companhia revele em breve as medidas para garantir sustentabilidade financeira e recuperação no mercado.

