Grupo Casas Bahia Apresenta Estratégia de Crescimento
No último Investor Day, realizado na segunda-feira (23), o Grupo Casas Bahia (BHIA3) revelou sua nova fase estratégica, mudando o foco de um plano de estabilização para um impulso em direção a um crescimento rentável. No dia seguinte ao evento, as ações da empresa apresentaram alta de 1,39%, atingindo R$ 2,91 às 11h20 (horário de Brasília). No dia anterior, as ações já haviam subido 3,99%, sinalizando uma reação positiva do mercado.
A reestruturação de capital da companhia, que conseguiu reduzir sua alavancagem para 0,4 vezes a Dívida Líquida/EBITDA, possibilitou um foco em três áreas principais: especialização em bens duráveis, aceleração do marketplace e expansão de serviços financeiros. Os analistas do mercado financeiro destacaram alguns pontos cruciais abordados durante o evento.
Foco no Core Business e Otimização de Recursos
Primeiramente, a empresa confirmou sua retirada de categorias não essenciais, diminuindo a participação dessas áreas de 14% para apenas 4% do GMV (Volume Bruto de Mercadorias). Esse movimento é estratégico para garantir que 96% das receitas estejam concentradas em eletrônicos, tecnologia e móveis, setores nos quais o grupo possui maior competitividade.
Em segundo lugar, a gestão anunciou uma economia de R$ 2,8 bilhões em despesas financeiras nos próximos cinco anos, fruto da redução do custo da dívida e da conversão de debêntures em capital próprio. Esse é um passo importante para otimizar o balanço da empresa e fortalecer sua posição no mercado.
Expansão e Inovação em Serviços Financeiros
Outro aspecto relevante discutido foi a ampliação da carteira de crédito, que já cresceu para R$ 6,6 bilhões. A empresa planeja lançar o crédito consignado privado até abril de 2026, com uma expectativa de crescimento no mercado que pode chegar a R$ 120 bilhões. Essa iniciativa visa não apenas melhorar o acesso ao crédito, mas também garantir um fluxo adicional de receita.
Além disso, a empresa já mapeou 52 cidades prioritárias para a abertura de novas lojas, reforçando a estratégia de crescimento em vendas nas mesmas lojas (SSS) enquanto mantém uma expansão seletiva. Essas ações sinalizam uma confiança renovada do mercado, com os analistas do BTG Pactual indicando que “a companhia deixou o modo de sobrevivência e agora busca recuperação”.
Parcerias Estratégicas e E-commerce
Na mesma ocasião, o Grupo Casas Bahia anunciou uma nova parceria com a Amazon Brasil. O objetivo é expandir sua presença digital e otimizar a integração entre canais físicos e online. Renato Franklin, CEO da empresa, declarou que essa parceria é mais um passo na construção do maior player omnicanal do Brasil, garantindo que a companhia mantenha o controle sobre preços e sortimento.
Analistas como os da XP destacaram que essa estratégia pode sustentar o crescimento online da Casas Bahia, apresentando um desafio adicional para a concorrência. O Goldman Sachs também observou que o e-commerce da empresa já apresenta margem de contribuição positiva, o que pode permitir um crescimento rentável.
Desafios no Cenário Econômico
Apesar do otimismo em relação às iniciativas da empresa, a alta dos juros continua a ser uma preocupação para os analistas. A XP, por exemplo, manteve uma visão neutra até que os resultados se tornem mais concretos e a trajetória para a lucratividade fique mais clara. Enquanto isso, o Goldman Sachs se mostrou mais cauteloso, mantendo sua recomendação de venda e um preço-alvo de R$ 3,20, mencionando que a recuperação de margem e a desalavancagem ainda dependem de um crescimento das vendas acima do esperado no varejo físico.
As análises do BTG Pactual e do Goldman Sachs sublinham a importância de uma gestão eficiente dos passivos e a constante melhoria do balanço patrimonial, destacando que a recuperação financeira não é um evento isolado, mas um pilar contínuo da estratégia da empresa.
Oportunidades no Credenciamento de Clientes
A monetização da base de clientes por meio do crédito direto ao consumidor (CDC) é vista como uma grande oportunidade para lucratividade no curto prazo. O relatório do Goldman Sachs indica que a inadimplência vem diminuindo, graças ao uso de Inteligência Artificial nos modelos de crédito, o que pode aumentar a eficiência e escalabilidade do financiamento.
Os dados mostram que a empresa está voltando às suas origens, concentrando 96% de seus esforços em eletrônicos, tecnologia e móveis. A prioridade, conforme afirmam os analistas, continua sendo o crescimento de SSS, em vez de uma expansão agressiva. O BTG concluiu que o Grupo Casas Bahia está em uma nova fase de aceleração, mesmo que o Goldman Sachs alerte para riscos persistentes que ainda podem afetar a valorização das ações.


