Conferência Revisitando um Marco Histórico
O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e o Tribunal de Justiça da Bahia se unem para realizar uma conferência especial no dia 30 de abril de 2026, às 16h. O tema abordado será ’90 anos do Caso do Recolhimento dos Perdões: a excomunhão dos Desembargadores e do Procurador-Geral de Justiça’. Este evento, que promete atrair a atenção de estudiosos e interessados na história local, ocorrerá no auditório do IGHB, situado em Piedade.
Entre os palestrantes, destacam-se o Desembargador Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto, que fará uma análise detalhada do caso, além do Desembargador Cassio Miranda e do presidente do IGHB, Joaci Fonseca de Góes. A conferência é uma excelente oportunidade para reviver um dos episódios mais intrigantes e controversos da história da Bahia.
Um Escândalo que Mudou Destinos
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O caso em questão remonta a uma terça-feira da Semana Santa de 1936, especificamente em 7 de abril. Naquela data, um incidente envolvendo o Arcebispo de Salvador, Dom Augusto Álvaro da Silva, e a Irmã Regente Maria José no Recolhimento do Senhor Bom Jesus dos Perdões gerou um grande escândalo na cidade. A disputa pela posse do imóvel da unidade religiosa culminou em agressões, que não apenas chocaram a comunidade, mas também levaram a consequências jurídicas significativas.
O desentendimento jurídico foi levado aos tribunais, onde a justiça decidiu a favor do direito do Recolhimento, levando a um desfecho surpreendente: a excomunhão da própria Irmã Maria José, dois Desembargadores, o Procurador-Geral de Justiça, três advogados e um jornalista. Este desfecho não apenas abalou a estrutura religiosa e jurídica da época, mas também gerou um debate intenso sobre os limites do poder e da justiça na Bahia.
Resolução no Supremo Tribunal Federal
O caso foi finalmente encerrado no Supremo Tribunal Federal em 1942, que, em uma decisão que reverberou por anos, deu provimento ao recurso da Arquidiocese. Essa decisão não apenas selou um capítulo polêmico da história judicial baiana, mas também levantou questões sobre a relação entre a Igreja e o Estado, refletindo a complexidade das interações sociais e políticas na Bahia do século XX.
Os organizadores esperam que a conferência não apenas reforce o conhecimento histórico dos presentes, mas também fomente discussões críticas sobre a importância desses eventos na formação do panorama cultural e jurídico atual. O IGHB e o Tribunal de Justiça convidam todos os interessados a participarem dessa reflexão sobre um momento que, apesar de distante no tempo, continua a ressoar nos debates contemporâneos sobre poder e justiça.


