Projeto Sustentável para a Mata Atlântica
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) deu início a um novo projeto em Ilhéus, no sul da Bahia, com o objetivo de recuperar a Mata Atlântica através do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras. Este projeto, denominado Conservação da Mata Atlântica, visa a restauração de áreas degradadas e o fortalecimento da produção de cacau na região. Com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente, a iniciativa tem como foco a ampliação do uso da cabruca – um sistema tradicional de cultivo de cacau sob a sombra de árvores nativas.
Esse modelo busca, de forma concreta, responder à perda de biodiversidade na Mata Atlântica. A proposta é produzir alimentos respeitando a floresta, gerando renda ao mesmo tempo que restaura funções ecológicas essenciais, como a regulação hídrica e a criação de corredores biológicos.
Inclusão e Sustentabilidade na Produção de Cacau
O projeto beneficiará aproximadamente 3 mil produtores organizados em consórcios regionais, sendo que pelo menos metade deles será composta por mulheres e jovens, refletindo uma estratégia de inclusão produtiva e sucessão rural. Entre os objetivos estabelecidos, destacam-se a restauração de 12 mil hectares de cacau cabruca, aprimoramento da gestão em 203 mil hectares de áreas protegidas e a mitigação de 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
No aspecto econômico, a expectativa é de triplicar a produtividade média das propriedades participantes e aumentar a renda das famílias atendidas em até 30%, com foco em mercados de maior valor agregado.
Inovação no Campo e Tecnologia
O diretor da Ceplac, Thiago Guedes, destaca que essa proposta representa uma mudança de paradigma. “O que estamos lançando na Bahia vai além de um projeto ambiental ou produtivo; é um modelo inovador que integra cabruca e conservação produtiva. Essa abordagem concilia a produção de alimentos, a conservação da biodiversidade e o enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma Guedes. “Estamos destacando a cacauicultura agroflorestal como um ativo estratégico para o futuro da agricultura global, especialmente considerando a importância da agricultura familiar e da juventude.”
Além da recuperação produtiva, o projeto inclui ações voltadas à inovação tecnológica. Entre elas, o uso de blockchain para assegurar a rastreabilidade do cacau, a criação de uma Escola do Cacau para capacitação de técnicos e produtores, além da implantação de um Centro de Inteligência Territorial (CTI) para monitoramento da paisagem em tempo real.
Acesso ao Crédito e Mercado Internacional
Outro eixo fundamental da iniciativa é o acesso ao crédito sustentável e o fortalecimento das redes de comercialização, o que visa aumentar a participação do cacau cabruca nos mercados nacional e internacional. Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, acredita que o projeto pode se tornar uma referência internacional ao demonstrar que é possível alinhar a agricultura sustentável com a preservação ambiental. “A Mata Atlântica é um bioma de importância mundial. Este projeto será um exemplo de como a agricultura sustentável pode coexistir com a preservação de espécies nativas e endêmicas”, declara Meza.
No sul da Bahia, a expectativa é que a valorização do cacau de origem e a melhoria na qualidade das amêndoas contribuam significativamente para elevar a renda e garantir mais estabilidade às famílias produtoras. Essa ação é um passo importante para a sustentabilidade, tanto ambiental quanto econômica, na região.


