Efeitos das Chuvas nas Lavouras e Previsões Futuras
Nos últimos sete dias, o Brasil viveu um período de calor intenso e chuvas abaixo da média em diversas regiões. As precipitações foram mais significativas no oeste e sul do Rio Grande do Sul, onde foram registrados cerca de 40 milímetros, além de Santa Catarina, que recebeu 45 milímetros. Esses volumes de chuva foram um alívio, quebrando uma sequência de mais de 20 dias sem precipitação relevante.
Apesar disso, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) ainda aponta restrições hídricas para as lavouras de soja e milho no Rio Grande do Sul. No entanto, a umidade no solo aumentou de forma considerável, embora o risco para as culturas persista, dado que novas chuvas são necessárias nas próximas semanas.
Mais ao norte, a situação apresenta desafios. A chuva entre o oeste do Paraná, São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul foi escassa e abaixo do esperado, resultando em umidade do solo na casa dos 50%. Esse índice fica abaixo do mínimo ideal para o desenvolvimento saudável das lavouras, levando a Conab a classificar a primeira e a segunda safras de milho como sob restrição hídrica. As pastagens e a cultura da cana-de-açúcar também sofrem com a baixa umidade do solo.
Por outro lado, em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, a diminuição das chuvas foi recebida com otimismo, facilitando a colheita da soja e a instalação da segunda safra. Contudo, é importante destacar que a invernada das semanas anteriores afetou a qualidade da primeira safra de feijão, que está em fase de colheita.
Previsão do Tempo para os Próximos Dias
A previsão do tempo indica que entre a próxima sexta-feira e terça-feira, dia 24, Minas Gerais, Bahia e o interior do Rio de Janeiro e Espírito Santo devem receber chuvas abundantes. Embora os acumulados não sejam extremos, são considerados altos para esta época do ano, o que deve impactar o ritmo das atividades agrícolas, incluindo a colheita de soja, que pode sofrer desaceleração a partir do final da semana.
Em contrapartida, as chuvas devem enfraquecer nas regiões Sul, partes do Paraná e São Paulo. No norte do Rio Grande do Sul, a expectativa é de pouco mais de 10 milímetros, com tendência de queda na umidade do solo, o que pode afetar negativamente as lavouras locais.
Na semana seguinte, a distribuição das chuvas deverá manter a mesma tendência, com maiores acumulados previstos para a região Nordeste e estados como Minas Gerais, Tocantins, Goiás e Espírito Santo, enquanto as regiões Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul continuarão sob condições de tempo seco e quente.
O Fim do La Niña e Seus Impactos
O fenômeno La Niña, que demonstrou um enfraquecimento nas últimas semanas, parece ter uma conexão com padrões atmosféricos que indicam um resfriamento do Oceano Pacífico neste fim de verão. Isso poderá resultar em chuvas mais intensas nas regiões ao norte e períodos de estiagem no centro e sul do Brasil.
Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), a previsão é de que o La Niña se dissipe completamente até o final do verão, enquanto o Pacífico inicia um processo de aquecimento que pode dar origem a um novo El Niño no segundo semestre de 2026.
Embora esse novo fenômeno não deva afetar a segunda safra no Brasil, é possível que traga chuvas adicionais e riscos à qualidade das culturas de inverno na região Sul. Assim, o agronegócio deve se preparar para um cenário climático que pode ser desafiador nos próximos meses, requerendo atenção redobrada aos padrões de precipitação.


