Uso de Combustível Sustentável na Aviação Brasileira
O ano de 2025 foi um marco para a aviação no Brasil, com a introdução do abastecimento regular de voos comerciais utilizando o combustível sustentável de aviação (SAF) no Aeroporto Internacional de Salvador, na Bahia. Desde novembro, essa operação pioneira provou que o Brasil possui não apenas a logística, mas também a capacidade técnica necessária para liderar a transição energética nos céus. Em 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) está determinado a expandir essa iniciativa para outros aeroportos, transformando o projeto-piloto em uma realidade na malha aérea nacional.
A colaboração entre o governo da Bahia e a Vibra Energia tornou possível essa inovação, revelando que a infraestrutura aeroportuária já está preparada para receber biocombustíveis. De acordo com informações da Petrobras, o SAF tem a capacidade de reduzir as emissões de carbono em até 87%, sem a necessidade de grandes adaptações nas aeronaves ou nos sistemas de abastecimento, o que é uma conquista significativa para o setor.
Para o MPor, o sucesso dessa operação representa um sinal verde para acelerar as políticas estruturantes desenvolvidas ao longo do último ano. A meta é assegurar que a experiência de Salvador seja replicada em hubs estratégicos, impulsionada por um novo cenário regulatório e de crédito estabelecido pelo governo federal.
Avanços na Descarbonização da Aviação
O ministro Silvio Costa Filho enfatizou a importância desses avanços como uma nova realidade para a aviação. “A descarbonização da aviação deixou de ser uma promessa de longo prazo para se tornar uma realidade. Com a validação da operação comercial com SAF e a injeção de recursos na produção nacional, estamos abordando duas questões críticas: a redução de emissões e a criação de empregos verdes na cadeia de biocombustíveis. O Brasil está preparado para 2026, mostrando que é possível conciliar o crescimento do setor aéreo com a responsabilidade ambiental”, salientou.
Um dos principais motores para essa expansão em 2026 será o novo programa de financiamento firmado entre o MPor e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em dezembro de 2025. Com recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac), o governo disponibilizou linhas de crédito com taxas competitivas, direcionadas para projetos focados no desenvolvimento e na produção de SAF.
Com a facilidade de acesso ao crédito, há uma expectativa crescente de que novas refinarias e plantas de biorrefino sejam inauguradas, aumentando a oferta do combustível e consequentemente reduzindo os custos finais para as companhias aéreas.
Metas em Progresso para o Uso de SAF
A segurança jurídica agora é garantida pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que lançou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV). Este programa estipula que, a partir de 2027, as operadoras aéreas devem começar a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 1%, utilizando SAF, com metas progressivas que atingirão 10% até 2037. Dessa forma, 2026 é visto pelo Ministério como o “ano de preparação” da indústria para atender a essas exigências.
“O voo abastecido com SAF na Bahia não foi um evento isolado, mas um vislumbre do futuro que estamos construindo. Demonstramos que a logística é viável. Agora, com o financiamento do Fnac e as metas claras do ProBioQAV, temos as condições necessárias para incentivar os investimentos”, declarou Daniel Longo, secretário nacional de Aviação Civil. Ele destacou que o Brasil possui a matéria-prima, a tecnologia e uma regulação apropriada para se tornar um dos maiores produtores mundiais deste combustível ecológico.
O SAF utilizado na operação em Salvador teve rastreabilidade total e certificação internacional (ISCC Corsia). Ele é produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, sendo processado em conjunto com o querosene mineral. Essa abordagem coloca o Brasil em uma posição de destaque, dada sua vocação agrícola e a abundância de insumos sustentáveis, colocando a aviação nacional na linha de frente do cumprimento das metas climáticas globais.


