Crescimento do Comércio Brasil-China em 2025
O intercâmbio comercial entre Brasil e China alcançou a marca impressionante de US$ 171 bilhões em 2025, consolidando-se como o segundo maior volume da história nas relações econômicas entre os dois países. Esse resultado é um indicativo claro de que o comércio com a China dobrou em comparação ao registrado com os Estados Unidos no mesmo período.
Dados do Conselho Empresarial Brasil-China revelam que, enquanto o comércio com a China subiu a patamares recordes, o fluxo comercial com os Estados Unidos ficou em US$ 83 bilhões. Isso não só reafirma a China como a principal parceira comercial do Brasil, mas também destaca a transformação nas cadeias globais de mercado.
Comparativo de Intercâmbio: Brasil e EUA
Observando os números de 2025 em relação a 2024, o comércio entre Brasil e China teve um crescimento de 8,2%, continuando a trajetória de alta que vem se desenhando nos últimos anos. Este volume de comércio, embora impressionante, ainda ficou aquém do recorde histórico alcançado em 2023, quando o intercâmbio atingiu seu ápice.
Em contrapartida, as vendas para os Estados Unidos caíram 6,6%, fruto direto das tarifas implementadas por Washington, o que fez com que o comércio com o país norte-americano representasse menos da metade do que foi negociado com a China. Esse panorama acentuou a diferença entre os dois fluxos comerciais e realçou a mudança no eixo do comércio exterior brasileiro.
Exportações e a Soja Dominante
Um dos principais motores deste crescimento nas exportações para a China foi a soja, que respondeu por mais de um terço do total embarcado para o país asiático. Em 2025, as vendas desse produto cresceram 10% em comparação ao ano anterior, evidenciando a forte demanda chinesa.
Esse aumento no volume de embarques ocorreu após a China ter reduzido temporariamente suas compras de soja dos Estados Unidos, redirecionando sua demanda para o Brasil em um cenário de tensões comerciais. Outros produtos do agronegócio e do setor mineral também mantiveram uma participação significativa nas exportações para a China.
Impacto das Tarifas e Redirecionamento de Mercados
As guerras tarifárias iniciadas durante a presidência de Donald Trump tiveram um impacto significativo nos fluxos comerciais globais. No Brasil, as sobretaxas aplicadas pelos EUA resultaram em uma redução das exportações para o mercado americano, obrigando os empresários a buscar alternativas em outros mercados.
Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho de 2025, o que mantém uma pressão sobre essa relação bilateral. O resultado disso é um déficit comercial expandido com os Estados Unidos, já que poucos produtos conseguiram compensar a perda de competitividade em outros mercados.
Importações da China e Aumento na Participação no Comércio Exterior
Além do crescimento nas exportações, as importações brasileiras da China também mostraram um desempenho recorde em 2025, atingindo US$ 70,9 bilhões, um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Essa evolução fez com que a China respondesse por 27,7% do comércio exterior total do Brasil, que somou um intercâmbio global de US$ 629 bilhões no ano. Essa realidade reafirma a tendência de concentração das trocas comerciais na Ásia, com foco particular na China.
Atualmente, quase um terço de todo o comércio exterior brasileiro está vinculado ao parceiro asiático, o que reafirma a importância dessa relação para a economia nacional. À medida que o cenário econômico global evolui, o Brasil parece estar se adaptando e diversificando seus mercados, especialmente em face das repercussões das tarifas americanas.


