O Impacto Direto no Comércio Local
O comércio local enfrenta desafios significativos em decorrência das oscilações no agronegócio, um dos pilares da economia. O que muitos não percebem é que os efeitos negativos não afetam apenas os prestadores de serviços, mas reverberam por toda a cadeia produtiva. Problemas de gestão, mudanças climáticas e oscilações no mercado internacional criam um cenário desafiador para o setor, que é fundamental na geração de empregos e renda.
Em cidades que dependem fortemente da produção agrícola para impulsionar a economia, qualquer desequilíbrio na cadeia de suprimentos é sentido de imediato. Os empresários locais, que frequentemente operam sem incentivos e enfrentam taxas de juros elevadas, se veem obrigados a realizar verdadeiros malabarismos para manter os empregos e garantir que seus produtos continuem a ter saída. Essa situação leva muitos a abrir mão de crescimento e a reduzir suas margens de lucro em busca de atrair clientes. O pequeno empreendedor, em especial, é quem mais sofre. Muitas vezes sem capital de giro, esses comerciantes enfrentam um dia a dia desgastante, mas ainda assim se mantêm resilientes na esperança de dias melhores.
A Resiliência do Empresário Local
Sem incentivos ou prorrogações de dívidas, o empresário não planta, mas, à medida que o clima muda, permanece atento, torcendo silenciosamente por boas colheitas que possam trazer alguma riqueza. É na lavoura que tudo começa, seja sob o sol escaldante ou durante os dias de chuva. A descapitalização dos produtores não apenas reduz a produção agrícola, mas também impacta diretamente no consumo de bens duráveis e não duráveis no varejo das cidades do interior, gerando um efeito cascata que atinge o comércio local de forma abrangente.
Como observa um comerciante local, “os eventos que afetam a agricultura são sentidos diretamente nas prateleiras e no caixa das lojas”. Essa conexão entre o agronegócio e o comércio local é inegável e demonstra a fragilidade da economia nas regiões que dependem fortemente da produção agrícola.
Desastres Naturais e Suas Consequências
De acordo com o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, entre 1991 e 2024, o Brasil registrou 32.453 ocorrências de desastres relacionados a estiagens e secas, com o Rio Grande do Sul respondendo por 11,98% desse total. O estado ocupa a segunda posição entre os locais mais afetados por esses eventos, ficando atrás apenas da Bahia e à frente de Minas Gerais.
A cidade de Tupanciretã novamente enfrenta desafios climáticos. Recentemente, o município, seguindo a tendência de outras localidades como Júlio de Castilhos, publicou o Decreto nº 7.668. Apesar de haver lavouras verdes, as chuvas irregulares e o calor extremo registrado em janeiro, somados à incapacidade dos produtores de investir devido à contínua perda de renda, culminaram em uma previsão de quebra de 20% na safra de verão, afetando especialmente o milho e a soja, que é a principal moeda do campo.


