Duas Atrações que Celebram a Ancestralidade
No Carnaval de 2026, a avenida se transformou em um verdadeiro território de memória e identidade, reunindo duas atrações marcantes: o Bloco Alvorada, que há mais de cinco décadas é um dos principais guardiões do samba na Bahia, e o Cortejo Afro, que traz uma sonoridade percussiva inovadora, misturando tradições afro-brasileiras à contemporaneidade. Juntas, essas manifestações reafirmam que a folia não é apenas uma festa, mas um espaço vital de resistência cultural.
A antropóloga Analva Brasão observa que essa experiência transcende a festividade, constituindo um poderoso encontro com a identidade e a ancestralidade. Natural de Natal e residente em Recife, ela conta: “Eu adoro o Carnaval de Recife e de Olinda, mas venho todo ano para Salvador para me alimentar da cultura afro”. Essa afirmação reflete a importância do Carnaval soteropolitano como um ponto de encontro e celebração das raízes afro-brasileiras.
A Força do Cortejo Afro
O cantor da banda Cortejo Afro, Aloísio Menezes, destaca que a essência do grupo vem da ancestralidade e da força do povo negro. “O Cortejo Afro surge dentro de um terreiro de candomblé, o Terreiro Ilê Axé Oyá, então é a emoção da nossa ancestralidade e de contar um pouco da nossa história”, afirma. Essa ligação profunda com a espiritualidade e as tradições afro-brasileiras é um dos pilares que sustentam a proposta do Cortejo, atraindo uma legião de foliões que buscam não apenas diversão, mas também uma conexão com suas raízes.
Por outro lado, o Bloco Alvorada, o mais antigo bloco de samba da folia baiana, continua a encantar gerações, com sua proposta de manter viva a alegria e a cultura da Bahia. Para Ailton José Nascimento, conhecido como Roxinho do Samba, o objetivo do bloco é claro: “Representar o samba e tudo que a gente tem de bom a oferecer é nosso maior incentivo”.
Um Carnaval de Encontro e Legado
No Carnaval de 2026, o Bloco Alvorada celebra o centenário de Nengua Guanguacese, promovendo um encontro intergeracional na avenida. Com o apoio do Governo da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi-BA) e da Secretaria de Cultura (Secult-BA), além do Programa Ouro Negro, o bloco busca reforçar sua missão de preservar a cultura afro-brasileira. Este ano, o projeto Ouro Negro, que recebeu um investimento recorde de R$ 17 milhões, apoia 95 iniciativas de entidades de matrizes africanas, destacando a importância da cultura negra na formação da identidade baiana.
Assim, a presença do Alvorada no Carnaval vai além da simples festividade; trata-se de uma reafirmação do papel fundamental da cultura afro-brasileira na formação da identidade coletiva do povo baiano. A mistura de samba, axé e tradição pulsa forte no coração do Carnaval, ecoando a resistência e a celebração das raízes afrodescendentes.


