Crise de Mão de Obra na Construção Civil
A construção civil no Brasil está passando por uma das mais severas crises de mão de obra das últimas décadas. Levantamentos recentes revelam que, desde 2010, o setor perdeu cerca de 600 mil trabalhadores com carteira assinada, reduzindo o total de empregos de aproximadamente 3,2 milhões para cerca de 2,6 milhões. Essa significativa perda de profissionais ocorre apesar da retomada das obras e dos investimentos em habitação e infraestrutura.
A escassez de mão de obra atinge diversos níveis de especialização, desde funções básicas como serventes e pedreiros até cargos técnicos e de liderança, como mestres de obras e técnicos em edificações. Essa falta de pessoal está causando sérios impactos nos prazos de entrega, na produtividade e na qualidade das construções.
Impactos da Queda nas Admissões
Em 2025, o cenário piorou ainda mais, com uma queda de 9,4% nas admissões formais no setor, reflexo direto das dificuldades enfrentadas na contratação de novos profissionais e do desinteresse de parte da juventude pela atividade. Esta situação gera um ciclo vicioso que preocupa os especialistas do setor.
Segundo análises, há múltiplos fatores contribuindo para o que vem sendo denominado de “apagão de mão de obra” nos canteiros de obras, que incluem o envelhecimento da força de trabalho, a baixa atração da Geração Z para a área, as condições de trabalho frequentemente consideradas mais duras, e a forte concorrência com outros setores, especialmente os de serviços e logística.
Aumento de Custos e Consequências
A redução na força de trabalho não apenas afeta os prazos e a qualidade das obras, mas também pressiona os custos operacionais das empresas. Para atrair profissionais qualificados, muitas construtoras têm elevado os salários, o que por sua vez pode resultar em atrasos nas entregas e potencial aumento nos preços finais dos imóveis, tanto residenciais quanto comerciais. A situação se torna ainda mais crítica à medida que o mercado imobiliário enfrenta um cenário de alta demanda.
É evidente que a construção civil precisa encontrar soluções para reverter esse quadro. A formação de novos profissionais, melhorias nas condições de trabalho e campanhas de atração de jovens para o setor são medidas que podem ser adotadas para renovar a mão de obra e garantir a continuidade dos projetos em andamento.


