Regiões em Destaque no Cultivo de Sorgo
O cultivo de sorgo tem apresentado um crescimento significativo em diversas partes do Brasil, com ênfase especial no Centro-Oeste. Essa região abriga a maior concentração de usinas de etanol de milho em operação, que agora começam a explorar o sorgo como uma alternativa viável de matéria-prima. Nos próximos dois anos, a expectativa é que a área destinada ao cultivo de sorgo aumente em impressionantes 118 mil hectares. O Sudeste também se destaca, com uma previsão de expansão de 108 mil hectares, seguido pelo Nordeste, que deve avançar em 69 mil hectares no mesmo período.
O sorgo é uma cultura versátil, utilizada tanto na alimentação de humanos quanto na de animais. Em países como os Estados Unidos, sua produção já é direcionada para a fabricação de etanol. Uma das vantagens do sorgo é sua resistência superior ao estresse hídrico em comparação ao milho. Para o setor de biocombustíveis, o rendimento do sorgo na produção de etanol é equiparável ao do milho, além de ser igualmente eficiente na geração de DDG (grãos secos de destilaria). Contudo, uma desvantagem se apresenta: o sorgo não é apropriado para extração de óleo, o que, segundo Frederico Botelho, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, limitava o número de compradores no mercado nacional.
Inovação com a Usina Inpasa
A construção da usina de etanol da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, promete revolucionar o cenário local. Com previsão de início das operações ainda neste primeiro trimestre, a nova instalação está incentivando os produtores a diversificarem suas lavouras, apostando no sorgo. Muitos já firmaram contratos para fornecer suas colheitas à usina, que, a partir de 2025, começará a receber lotes de sorgo colhidos nas proximidades.
Um dos grandes atrativos do sorgo para os agricultores é a perspectiva de uma rentabilidade bem superior à do milho. Augusto José Montani, um dos produtores envolvidos, revela que o custo de produção do sorgo em áreas de sequeiro gira em torno de R$ 3 mil por hectare, enquanto em áreas irrigadas esse valor sobe para um pouco mais de R$ 3,5 mil. Em contrapartida, a produção de milho costuma variar entre R$ 7 mil e R$ 8 mil por hectare, tornando o sorgo uma opção atraente.
Montani destaca que o sorgo é uma cultura mais resistente, necessitando de apenas metade da umidade exigida pelo milho e enfrentando menores problemas com pragas, como as lagartas. Na sua propriedade, a área destinada ao sorgo saltará de 1,5 mil hectares em 2025 para 4,5 mil hectares neste ano. Ele observa que o sorgo não está competindo diretamente com o milho durante o inverno, mas sim ocupando áreas que antes não eram cultivadas após a colheita da soja. “Onde não tínhamos safra, agora teremos uma safrinha. Isso é algo bem significativo”, avalia.
Investimentos e Perspectivas Futuras
De acordo com Botelho, da Embrapa, os produtores da região estão não apenas ampliando suas áreas de cultivo, mas também investindo em tecnologia. “A chegada de indústrias de etanol na região do Matopiba prevê que, nos próximos anos, a Bahia se torne o maior produtor de sorgo do Brasil”, afirma.
Ele acredita que o sorgo possui um grande potencial mesmo em regiões com elevada pluviosidade, onde o milho é mais suscetível a pragas. Por exemplo, no Paraná, a cigarrinha do milho é uma ameaça constante, causando enfezamento e significativos prejuízos. No entanto, a cigarrinha não afeta o sorgo, o que garante sua produtividade. “O sorgo é uma alternativa que pode prosperar em cenários desafiadores”, conclui Botelho.


