A Expansão do Cacau em Sergipe
No ano de 2025, a cultura do cacau alcançou um marco significativo em Sergipe, registrando a maior expansão desde que os primeiros plantios foram iniciados em 2008. O número de agricultores envolvidos na produção saltou de 17 para 52, um impressionante aumento de 200% em apenas dois anos. A área plantada também apresentou crescimento, passando de 26 para 51 hectares, distribuídos em oito municípios das regiões sul e centro-sul do estado. A colheita de amêndoas atingiu 15,9 toneladas, superando as 9,5 toneladas colhidas em 2024, resultando em um volume estimado de R$ 442.390 em vendas, com o preço médio de R$ 415,00 por arroba de 15 kg.
Antes da organização da cadeia produtiva, a produção sergipana era direcionada principalmente para Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Contudo, essa dinâmica mudou com a instalação de um posto de compra avançado da Cargill Alimentos, proveniente de Ilhéus (BA), no município de Arauá. A empresa agora adquire a produção com base no preço de referência do dia e realiza pagamentos via Pix, o que estabelece um canal formal de comercialização dentro do próprio estado.
Novas Oportunidades de Renda para os Produtores
A cadeia produtiva do cacau em Sergipe começa a gerar receitas além das amêndoas. Em Arauá, por exemplo, o produtor Manoel da Conceição está comercializando mel de cacau, um subproduto extraído da polpa do fruto, a um preço de R$ 15 o litro. Somente em 2025, foram vendidas 1.000 litros deste mel, criando uma Nova fonte de renda que até então não era explorada no processo de beneficiamento.
Esse crescimento está profundamente ligado à crise enfrentada pela citricultura na região. No início dos anos 2000, agricultores do sul e centro-sul de Sergipe começaram a buscar alternativas em resposta ao aumento dos custos na produção de laranjas. O cacau demonstrou ser uma opção viável, adaptando-se bem às condições locais, que incluem precipitação média anual entre 1.200 e 1.400 mm, solos profundos e uma topografia suavemente ondulada, semelhante à encontrada no polo cacaueiro do sul da Bahia. Atualmente, o cultivo é realizado em sistemas agroflorestais, sendo consorciado com plantações de banana, maracujá e mamão, o que garante aos produtores uma fonte de renda antes mesmo da frutificação do cacaueiro, que ocorre a partir do terceiro ano após o plantio.
Suporte Técnico e Desafios na Produção
A expansão da área cultivada com cacau conta com o suporte da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), que está vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Desde 2012, a Emdagro vem distribuindo mudas e oferecendo assistência técnica, em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), do Ministério da Agricultura. Entre as iniciativas implementadas, destaca-se a distribuição de 10 mil mudas clonadas das variedades CCN51, CCN10 e PS1319, além da implantação de seis Unidades Demonstrativas e fornecimento de 10 kits de irrigação.
Um dos principais desafios enfrentados na expansão da produção de cacau ainda é a dependência de mudas certificadas, as quais são importadas da Bahia a um custo de R$ 9 cada. No entanto, o credenciamento do primeiro viveiro certificado do estado, localizado em Indiaroba, está avançando, com a expectativa de produzir 6.000 mudas clonadas por ciclo, capazes de atender entre 35 e 40 agricultores familiares.
Jean Carlos Nascimento Ferreira, diretor de Assistência Técnica da Emdagro, ressaltou a importância do suporte institucional em toda a cadeia produtiva. “Estamos presentes do plantio até a comercialização, garantindo assistência técnica, acesso a tecnologia e mercado para os produtores”, afirmou.


