Desafios que vão além da reeleição
O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de presidente marca o início de um ano repleto de desafios que transcendem a simples reeleição para o quarto mandato. A partir desta semana, após suas férias no Rio de Janeiro, Lula enfrentará questões estruturais que persistem na sociedade brasileira, como a crescente violência urbana e as taxas exorbitantes de juros. Além disso, a relação do presidente com um Congresso que se mostra resistente ao Palácio do Planalto exigirá uma habilidade política afiada.
O ano eleitoral também será crucial para o Partido dos Trabalhadores (PT), que busca eleger um número significativo de governadores, senadores e deputados. O ambiente político está fragmentado, refletindo a polarização entre o conservadorismo da oposição e a proposta progressista que Lula representa.
Entre os temas centrais da agenda de Lula estão a saída de ministros em direção às eleições, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a luta contra o crime organizado. Além disso, o presidente precisará gerenciar a relação com a política externa, especialmente com Donald Trump, e lidar com a questão da anistia e da dosimetria de penas para condenados por atos golpistas.
Saída de Ministros e Conjuntura Política
Na retomada de suas atividades, Lula deve se reunir com os ministros que pretendem deixar seus cargos para concorrer nas eleições de 2026. Estima-se que ao menos 20 ministros farão essa transição até abril, incluindo Fernando Haddad, que é cogitado para disputar o governo de São Paulo. Para Lula, um forte palanque no estado mais rico do país é fundamental, especialmente em um momento em que o atual governador, Tarcísio de Freitas, é uma figura relevante na oposição.
Haddad, por sua vez, já manifestou seu desejo de se afastar da Fazenda para se dedicar à campanha de reeleição de Lula. Outros ministros, como Rui Costa e Gleisi Hoffmann, também têm planos eleitorais em suas respectivas regiões.
Lula, em um encontro com jornalistas, expressou compreensão em relação à saída dos ministros, afirmando que espera que aqueles que deixarem seus cargos consigam ser eleitos.
Objetivo de um Quarto Mandato
O presidente tem reiterado sua intenção de buscar um quarto mandato. Com a saúde e disposição em mente, Lula afirma que não permitirá o retorno da extrema direita ao governo. Atualmente, ele lidera as pesquisas de intenção de voto. No último ano, enquanto a oposição se dividia, o presidente lançou propostas voltadas para sua reeleição, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
Além disso, a proposta da jornada de trabalho de seis dias com um de folga poderá ser um dos pilares de sua campanha.
As movimentações no campo oposto incluem Flávio Bolsonaro lançando sua candidatura, o que provocou descontentamento no Centrão, que favorece Tarcísio de Freitas como candidato ao Planalto.
Indicação ao STF e Questões Legais
No final do ano passado, Lula enfrentou desavenças com líderes do Congresso, especialmente em relação à indicação de Jorge Messias para o STF. A preferida do presidente gerou atritos com o Senado, que apontava o nome de Rodrigo Pacheco como uma opção. O governo optou por atrasar o processo formal de indicação, buscando apoio entre os senadores antes de formalizar a escolha.
Messias precisa de pelo menos 41 votos favoráveis no Senado para assumir o cargo, e sua indicação já enfrenta resistências. Lula tem orientado seus ministros a estabelecer contato com senadores para garantir os votos necessários.
Questões de Segurança e Relações Exteriores
Outro desafio importante para Lula é a segurança pública. A votação do PL da Dosimetria e a PEC da Segurança Pública foram temas que geraram tensões no Palácio do Planalto, especialmente com o presidente da Câmara. O PL da Dosimetria, que visa combater o crime organizado, já foi aprovada pelo Senado, mas precisa de enfrentamento na Câmara antes de seguir para sanção ou veto.
Na esfera internacional, a relação com Donald Trump e os EUA também é uma preocupação. Com as tarifas aumentadas sobre produtos brasileiros e a crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a diplomacia brasileira terá que navegar por águas turbulentas. Lula já comentou sobre a importância do diálogo e a necessidade de manter a América do Sul como uma zona de paz, especialmente após recentes tensões envolvendo a Venezuela.
Economia e Desafios Finais
Por último, a condução da economia será um dos pilares a serem enfrentados por Lula. Apesar dos indicadores econômicos apresentarem resultados positivos, há preocupações sobre a capacidade de sustentabilidade da dívida pública e da inflação. O governo está optando por aumentar gastos, o que pode agravar a situação fiscal, e isso reflete na alta taxa de juros.
Com um endividamento crescente, os desafios que Lula enfrentará nos próximos anos exigirão não apenas habilidade política, mas um planejamento efetivo que garanta um futuro estável para o Brasil.


