Desapropriações e Reforma Agrária em Debate
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve presente em Salvador nesta sexta-feira (23), marcando o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento Sem Terra (MST). O evento, que atraiu participantes de todo o Brasil e contou com a presença de várias autoridades políticas, foi um palco para o anúncio significativo da desapropriação de fazendas, incluindo uma localizada na cidade de Alcobaça, no sul da Bahia.
A cerimônia contou com a presença do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e também do senador Jacques Wagner (PT). Além destes, o encontro teve a participação de líderes de movimentos sociais e representantes internacionais, incluindo delegações da Palestina, Haiti, Burkina Faso e Estados Unidos.
Na ocasião, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, detalhou a compra de diversas propriedades rurais em todo o Brasil para desapropriação e distribuição aos trabalhadores rurais. Em particular, no estado da Bahia, a Fazenda Pombo Roxo, atualmente ocupada por famílias ligadas ao MST, será uma das terras adquiridas pelo governo federal.
Durante seu discurso, Lula enfatizou que, apesar das conquistas do movimento, ainda existem muitas mudanças a serem feitas na política agrária. Ele ressaltou a importância do engajamento da população na política, afirmando: “Gostar da política não é gostar de coisa errada, é assumir a responsabilidade de definir o projeto que a gente tem para o nosso país”.
A Luta pela Justiça Agrária
O governador Jerônimo Rodrigues também abordou a relevância da luta histórica do MST por justiça agrária, destacando que a reforma agrária abrange não apenas a questão da terra, mas também aspectos fundamentais como educação e saúde. Ele expressou agradecimento ao movimento pela colaboração com o governo. “O conteúdo da reforma agrária se trata de formação, de educação, de saúde. Esse povo se une a nós, governantes desse país e desse estado, com a palavra uníssona, que é a palavra da produção de alimentos”, afirmou.
Críticas à Intervenção dos EUA
Além dos anúncios sobre desapropriações, Lula não deixou de criticar a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, reafirmando que a América Latina não se submeterá a pressões externas. Ele declarou: “A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça pra ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho, de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo”.


