Movimento dos Pequenos Agricultores em Alerta
Cerca de 70 famílias camponesas integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão sob risco iminente de despejo em um acampamento localizado em São Francisco do Conde, região metropolitana de Salvador, Bahia. Esses trabalhadores rurais têm vivido e cultivado a terra por quase um ano, mas agora enfrentam uma nova ameaça que se aproxima com o apoio do Estado, alinhado aos interesses do grande capital.
No último dia 19 de janeiro, representantes do governo estiveram no acampamento para comunicar uma ação de despejo programada para o dia 27 do mesmo mês. Contudo, após intensas mobilizações por parte dos camponeses, essa ação foi prorrogada para o dia 3 de fevereiro. Até o momento, segundo informações do próprio MPA, nenhuma notificação oficial foi entregue às famílias, o que evidencia um ato de arbitrariedade e abuso por parte das autoridades.
A decisão que fundamenta o despejo foi emitida em setembro, mas só chegou ao conhecimento das famílias no dia 22 de janeiro, após a visita dos representantes governamentais. Essa situação revela um padrão claro de que a “justiça” no Brasil tende a favorecer aqueles que detêm poder e riqueza. Enquanto a ação contra os trabalhadores é rápida e efetiva, a justiça parece demorar quando se trata de latifundiários e grileiros.
Pressões da Acelen e Resistência das Famílias
A empresa Acelen, que vem realizando uma série de assédios aos acampados, adotou táticas intimidatórias, insinuando que não haverá espaço para diálogo caso as famílias não desocupem o local até a data estabelecida. Essa abordagem é uma estratégia de opressão, criada para desmobilizar e dividir a resistência popular que se formou no acampamento.
As famílias ocuparam uma área de aproximadamente 2 mil hectares, onde têm cultivado hortas, roçados, plantas medicinais e outros alimentos saudáveis. Essa prática contrasta fortemente com a abordagem do agronegócio, que frequentemente destrói a fertilidade do solo, envenena os alimentos e empurra as comunidades para fora de suas terras.
Diante da iminente ameaça de despejo, as famílias pedem simplesmente tempo para desmontar suas moradias improvisadas e colher os frutos de seu trabalho. Para Dona Dinha, uma das moradoras, essa terra representa não apenas um meio de subsistência, mas também um sonho realizado: “Eu sempre sonhei em ter um pedaço de terra para viver. Aqui eu tive a oportunidade de produzir meu próprio alimento.” Seu depoimento ilustra o forte vínculo entre a terra e a dignidade dos trabalhadores rurais.
Outra acampada, Yoná, também compartilha sua perspectiva sobre a vida no acampamento: “Aqui eu tenho paz. Tenho a oportunidade de construir uma relação de amor com a terra, de produzir alimentos saudáveis e de cultivar meu horto medicinal.” Essas falas revelam a importância da agricultura familiar e a conexão vital que essas famílias têm com a terra, ressaltando a necessidade de uma luta contínua pela permanência e pela dignidade no campo.


