Evento Destaca a Importância do Queijo na Bahia
Comemorado na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o Dia Mundial do Queijo é uma oportunidade para refletir sobre a relevância desse alimento amplamente consumido ao redor do mundo. A Bahia, com sua crescente participação no cenário nacional e internacional da produção de queijos, se destaca com dados impressionantes: em 2024, o estado alcançou a marca de 1,3 bilhão de litros de leite produzidos. A combinação de uma rica diversidade de biomas, como a Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, juntamente com uma robusta cadeia agroindustrial, contribui para a produção de queijos que vão de receitas tradicionais a criações contemporâneas, incorporando ingredientes locais e promovendo a valorização cultural.
A produção queijeira baiana é diretamente influenciada pela abundância de leite e pela diversidade ambiental, o que possibilita uma gama extensa de queijos com identidades e perfis sensoriais únicos. Entre os produtos destacados, podemos citar o requeijão, queijo coalho, queijos de cabra e muçarela de búfala. Adicionalmente, inovações que utilizam ingredientes como umbu, araçá e licuri ampliam a conexão entre gastronomia e a biodiversidade regional, fortalecendo a economia local.
Cadeia Agroindustrial do Leite: Relevância Econômica e Sanitária
De acordo com informações da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), a cadeia do leite é vital para a agroindústria baiana, contando com 185 unidades de beneficiamento de leite e seus derivados. Este número supera outros segmentos agroindustriais, como o de produtos de abelhas, carnes e ovos. Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri, afirma que essa ampla presença evidencia a importância da agroindustrialização formal, que agrega valor, gera renda e dinamiza as economias locais. Ele ainda ressalta que a maioria das empresas do setor opera sob rigorosa inspeção sanitária, assegurando a qualidade e a segurança alimentar dos produtos.
Produção Artesanal e Inclusão Social
Além do avanço industrial, a produção artesanal de queijos também se revela como um setor de grande relevância econômica, social e cultural na Bahia. Este segmento não apenas preserva saberes tradicionais como também fortalece identidades territoriais. O desenvolvimento técnico e as melhorias processuais têm permitido que pequenos produtores artesanais integrem-se cada vez mais aos mercados formais, ao mesmo tempo em que mantêm suas práticas históricas, transmitidas de geração para geração. Essa simbiose entre tradição e modernidade tem contribuído para a consolidação da produção artesanal de queijos no Brasil.
A Riqueza Cultural do Queijo no Mundo e suas Raízes na Bahia
O Dia Mundial do Queijo também carrega uma forte conotação cultural, com raízes em países europeus como Portugal, França, Itália, Suíça e Holanda, que são reconhecidos pela sua excelência na produção e consumo do produto. A origem do queijo é frequentemente atribuída a um acidente histórico, onde pastores descobriram que o leite transportado em recipientes de abomaso se separava em soro e massa sólida, resultando em um sabor inusitado. Desde então, a técnica de produção de queijo evoluiu, incorporando conhecimento empírico e avanços científicos ao longo dos séculos.
A Evolução do Queijo e seu Custo Elevado
A sofisticação das técnicas de produção ao longo do tempo gerou uma ampla diversidade de queijos ao redor do globo, influenciados por aspectos culturais e tecnológicos. Um exemplo notável é o Pule, conhecido como o queijo mais caro do mundo, produzido com leite de jumentas da raça Balkan na Sérvia. A raridade desse queijo se dá pela baixa produtividade das jumentas, exigindo mais de 25 litros de leite para a produção de apenas 1 quilo do produto, elevando seu preço a mais de 5 mil euros por quilo. Este exemplo ilustra a especialização técnica e o valor cultural que envolvem a produção queijeira.
A História do Queijo no Brasil e a Contribuição da Bahia
No Brasil, a produção de queijo remonta ao século XVI, época em que o produto já tinha grande aceitação na Europa. A chegada de Tomé de Sousa à Bahia marcou um capítulo importante, com a introdução de vacas leiteiras de Cabo Verde para atender ao abastecimento de leite dos colonos e crianças da primeira escola jesuíta no país. Com o crescimento da pecuária leiteira, a fabricação de queijo tornou-se fundamental para a conservação do leite em um contexto sem refrigeração, aumentando sua durabilidade e facilitando o transporte, consolidando-se como um elemento central da segurança alimentar nas comunidades.


