Expectativas para a Economia Circular
Entre os dias 25 e 27 de março, Fortaleza será o palco da terceira edição do Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC). O evento, que espera atrair mais de três mil pesquisadores, profissionais e representantes da sociedade civil, já teve suas edições anteriores em Salvador, em 2023, e em Recife, em 2025. Com a proposta de se consolidar como a principal plataforma de articulação territorial do Brasil na agenda de circularidade econômica, o fórum ocorre em um momento crucial, já que o mercado global de economia circular pode movimentar cerca de US$ 355 bilhões até 2032, apresentando um crescimento anual de até 11%. As expectativas são altas, e o encontro visa a mobilização de até R$ 137 bilhões para a região nos próximos anos.
A presidente do Movimento Reinventando Futuros e organizadora do evento, Lídice Berman, destaca a urgência dessa transição: “O modelo linear está ficando caro. Matéria-prima virgem, energia fóssil, descarte de resíduos, tudo isso está encarecendo.” Ela enfatiza que “custo é o que você paga quando chega atrasado; oportunidade é o que você captura quando chega na hora certa. E a hora certa para o Nordeste é agora.”
Resultados das Edições Anteriores
Nas duas primeiras edições do FNEC, houve a participação de 270 especialistas e o envolvimento de sete ministérios, resultando em mais de 40 parcerias institucionais. Durante esse período, a região Nordeste se firmou como a terceira maior produtora de resina plástica reciclada pós-consumo do Brasil, representando 13,7% do total, e registrou um crescimento significativo de 16,6% em comparação ao ano anterior. Os dados referentes aos investimentos privados em sustentabilidade e descarbonização também são promissores; em 2025, esses investimentos atingiram R$ 48,2 bilhões, o que representa um aumento de 24,2% em relação ao ano anterior.
Berman ressalta que “a trajetória de Salvador, Recife e Fortaleza não é meramente geográfica. Ela serve como um termômetro da maturidade da agenda de economia circular.” O FNEC chega à sua terceira edição alinhado ao Plano Nacional de Economia Circular (2025–2034) e ao Projeto de Lei nº 5.662, que cria a Política Nacional de Economia Circular. O evento recebe apoio financeiro de instituições como Finep, Sudene, Banco do Nordeste (BNB) e a agência alemã GIZ, além de contar com parcerias do Ministério da Fazenda, PNUD e do Pacto Global da ONU.
O Papel do Banco do Nordeste
O Banco do Nordeste tem um portfólio verde robusto e, entre 2022 e 2024, destinou R$ 119,9 bilhões para a economia verde. Para 2026, o braço FNE Verde do banco terá R$ 5,06 bilhões voltados para tecnologias sustentáveis, parte de um orçamento recorde de R$ 52,6 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Além disso, a Nova Indústria Brasil já assegurou cerca de R$ 137 bilhões para a região até o final de 2025, resultado que abrange 189 projetos selecionados em uma chamada regional, sendo 74% desses projetos provenientes de micro, pequenas e médias empresas.
Hidrogênio Verde e Desafios do Modelo Atual
A integração entre economia circular e hidrogênio verde é um dos principais tópicos abordados nesta edição do fórum. Atualmente, o Ceará possui 27 protocolos de intenção para projetos de hidrogênio verde, com uma expectativa de investimento superior a US$ 30 bilhões.
Luiggi Pessoa, professor do Senai e representante da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), sublinha que essas duas agendas são complementares, mas alerta sobre o risco de repetir falhas do passado: “Não podemos apenas criar um caminho para a exportação de commodities. Precisamos ir além.” Ele também destaca o desafio humano que se impõe: “Estamos enfrentando um apagão de competências verdes, com uma demanda por profissionais qualificados que supera a oferta.”


