O Novo Cenário do Mercado de Trabalho na Bahia
Em 2025, o mercado de trabalho na Bahia passa por uma transformação significativa, evidenciada por novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que antes era visto como informalidade, agora se manifesta sob a forma de empreendedorismo, muitas vezes motivado por necessidade. Esse novo perfil de trabalhador autônomo emerge como protagonista da economia local, moldando um ambiente de oportunidades e desafios.
O levantamento mais recente aponta que o número de autônomos no estado alcançou 1,85 milhão, superando os trabalhadores sem carteira assinada. Essa tendência crescente é também corroborada pelo Boletim do Mapa de Empresas do Governo Federal, que indicou um crescimento de 14,1% na formalização de microempreendedores entre janeiro e abril de 2025.
Setores em Alta e Novas Oportunidades
A análise do cenário econômico deste ano revela dez atividades que concentram a maior parte dos novos trabalhadores autônomos. O setor de estética destaca-se em meio a essa transformação, com uma demanda crescente por serviços personalizados. Além disso, a área de alimentação continua a ser relevante, principalmente com o aumento das vendas diretas de produtos artesanais e marmitas, frequentemente realizadas por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais, sem a necessidade de estabelecimentos físicos.
A economia de plataforma se consolida como um dos principais empregadores indiretos em Salvador e na região metropolitana. O transporte de passageiros por aplicativos e os serviços de entrega rápida se destacam, captando a força de trabalho masculina que não encontrou espaço na indústria ou no comércio formal. O setor de manutenção residencial também acompanha essa dinâmica, com alta demanda por profissionais de reparos gerais que atuam sob demanda.
O Crescimento das Ocupações Digitais
Outro aspecto relevante em 2025 é o crescimento das ocupações digitais que não exigem vínculos empregatícios tradicionais. Profissionais que gerenciam tráfego pago e mídias sociais para o varejo local estão em alta, atraindo um público jovem e conectado. Também se destacam os cuidadores de idosos e guias de turismo de experiência, que exploram nichos não atendidos pelas grandes empresas do setor, contribuindo para a diversificação do mercado de trabalho.
Perfil e Dinâmica do Trabalho Autônomo
Os dados do IBGE para o terceiro trimestre de 2025 evidenciam que o mercado autônomo é majoritariamente feminino e negro. As mulheres, com 1,34 milhão atuando na informalidade, lideram o crescimento do setor, superando a adesão masculina. O recorte racial demonstra que a população negra é um motor importante da economia autônoma neste ano, com 921 mil pessoas atuando na informalidade, refletindo seu papel central nas atividades comerciais e de serviços que mais se expandiram.
Essa nova configuração sugere que esses grupos não se limitam a posições de base na pirâmide de serviços, mas assumem a liderança em microempreendimentos que movimentam os bairros. As evidências de 2025 indicam que a economia de Salvador depende cada vez mais do fluxo de recursos gerados por essa massa de trabalhadores autônomos, operando fora do alcance das legislações trabalhistas tradicionais.
Educação e Mercado de Trabalho
Os dados atuais desafiam a ideia de que a informalidade é um reduto de baixa escolaridade. Com 1,16 milhão de trabalhadores com Ensino Médio completo atuando por conta própria ou sem registro, percebe-se que a conclusão da educação básica não garante acesso a postos formais, empurrando esses profissionais qualificados para o empreendedorismo. O fenômeno abrange também aqueles com Ensino Superior, com 123 mil atuando na informalidade, incluindo engenheiros, advogados e comunicadores que buscam consultorias independentes ou ocupações não correlatas à sua formação.
Impactos da Formalização na Economia
Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelam que o Brasil retirou aproximadamente 3,9 milhões de pessoas da informalidade em 2024, em grande parte pela formalização de microempreendedores individuais (MEIs). Este movimento, que envolveu 2,5 milhões de brasileiros, e a abertura de 1,4 milhão de micro e pequenas empresas, geraram um impacto econômico entre R$ 20 bilhões e R$ 70 bilhões anuais e elevaram a renda média dos formalizados.
Segundo Décio Lima, presidente do Sebrae, a formalização aumenta a renda entre 7% e 25%, permitindo que os empreendedores escalem seus negócios. Os dados também indicam que 26% dos MEIs ativos no Brasil são recém-formalizados, mostrando uma migração significativa do setor informal para a legalidade. Isso evidencia a relevância do empreendedorismo formalizado no contexto econômico baiano e brasileiro.


