Impacto do Conflito no Comércio Agrícola
As exportações do Brasil para o Oriente Médio enfrentaram uma queda significativa de 26% em março, período que coincide com o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o montante exportado para os 15 países da região despencou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para apenas US$ 882 milhões neste ano.
Essa redução foi especialmente sentida nos produtos do agronegócio, com a exportação de carne suína, por exemplo, apresentando uma queda drástica de 59%. O frango, que se destaca como o principal item exportado para o Oriente Médio, também registrou uma diminuição de cerca de 22%. Já as vendas de soja para a região caíram 25% em comparação com o ano anterior.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas do Mdic, afirmou que ainda é muito cedo para avaliar todos os efeitos do conflito sobre o comércio internacional. “Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo [comercial], é necessário esperar um pouco mais”, comentou Brandão, sinalizando a necessidade de monitoramento das variáveis envolvidas.
Acordo com a Turquia e Expectativas Futuras
No final de março, o Brasil firmou um acordo com a Turquia para viabilizar a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central. Embora esse acordo tenha sido celebrado, os resultados positivos não devem ser percebidos imediatamente, com impactos visíveis apenas a partir da balança comercial de abril.
O Petróleo como Exceção
Contrariando a tendência negativa observada em outras áreas, as exportações brasileiras de petróleo apresentaram um desempenho notável. O óleo bruto viu um crescimento expressivo de 70,4% em valor, atingindo US$ 4,7 bilhões, com um aumento de 75,9% em volume. Apesar disso, o governo alerta que não é possível afirmar que essa alta esteja diretamente ligada ao conflito, mesmo considerando que a guerra afetou cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevou consideravelmente o preço do barril no mercado internacional.
Para os meses seguintes, a expectativa é de uma queda nas vendas do petróleo. Em resposta aos subsídios concedidos ao diesel, o governo implementou, a partir de meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações do produto, sinalizando um possível ajuste na balança comercial.
Desempenho Geral das Exportações
Além da queda nas exportações para o Oriente Médio, outros mercados relevantes também apresentaram reduções nas compras de produtos brasileiros em março, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. As vendas para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto o Canadá e a Argentina tiveram recuos de 10% e 5,9%, respectivamente. Entretanto, as exportações para a China mostraram um crescimento positivo de 17,8%, consolidando a nação asiática como o maior parceiro comercial do Brasil.
Em relação ao comércio bilateral com os Estados Unidos, o Brasil registrou um déficit comercial em março, com exportações totalizando US$ 2,8 bilhões e importações alcançando US$ 3,3 bilhões. Já com a China, o Brasil conseguiu um superávit de US$ 3,8 bilhões no mesmo período.
Quanto às vendas para a União Europeia, houve um incremento de 7,3%, enquanto as relações comerciais com a Argentina apresentaram uma queda nas vendas, mas mantiveram um saldo positivo na balança comercial. Esse cenário ilustra os impactos iniciais da guerra sobre o comércio global, que afeta as dinâmicas comerciais de maneira diferenciada entre regiões e produtos, especialmente nas cadeias produtivas ligadas à energia e à alimentação.


