Cultura indígena e economia solidária se destacam no I Festival do Artesanato Baiano Indígena
No último dia de programação, o I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI) encerrou sua primeira edição com resultados impressionantes. O evento, realizado entre os dias 6 e 8 de fevereiro em Coroa Vermelha, na Bahia, atraiu mais de 20 mil visitantes e contou com a participação de mais de 180 expositores de 20 etnias diferentes. Com essa grande mobilização, o FABI se consolidou como uma experiência cultural inovadora e um verdadeiro vetor econômico, promovendo a circulação de renda e valorizando saberes ancestrais dos povos indígenas.
Sediado em Santa Cruz Cabrália, o festival ofereceu uma programação diversificada que destacou técnicas, narrativas e identidades dos povos originários. Um dos momentos mais emocionantes foi o desfile “Territórios do Vestir: Tradição, Inovação e Autonomia Indígena”, que contou com a participação das estilistas Ludimila Alves e Puhuy, e teve como trilha sonora a música de Beatriz Tuxá. A passarela transformou-se em um verdadeiro manifesto cultural, refletindo a riqueza da arte indígena.
A programação também incluiu uma série de apresentações musicais que ampliaram o diálogo entre a arte indígena e o público, com performances de artistas como Xamã, Grandão Vaqueiro e Pierre Onassis. O rapper Xamã enfatizou a importância do festival: “Nós queremos mostrar um pouco da nossa arte, da nossa música, da nossa cultura. O FABI potencializa isso, reunindo diversos estilos musicais e promovendo a cultura indígena em um só espaço”.
Outro aspecto importante do festival foi a entrega de 126 Carteiras Nacionais de Artesão, um passo crucial para a formalização de artesãos e artesãs. Além disso, 16 artesãos receberam certificados de cursos de formação em áreas como precificação e vitrinismo, realizados durante o festival. Esses avanços são fundamentais para a inclusão produtiva e a participação em editais e políticas públicas voltadas ao setor.
“O governador Jerônimo, que é indígena, tem um forte compromisso com essa pauta e tem incentivado investimentos no artesanato indígena e na economia solidária. Os resultados do FABI refletem uma política pública duradoura. Ao longo do ano, promovemos assistência técnica e qualificação, valorizando nossa arte ancestral e garantindo dignidade e renda para os povos indígenas, que historicamente enfrentam invisibilidade devido à falta de acesso a investimentos”, afirmou Augusto Vasconcelos, secretário da Setre.
Como parte do legado do evento, foi inaugurado o Centro de Referência do Artesanato da Bahia. Esta iniciativa, que surgiu da parceria entre a Associação Ilê Axé Ojú Onirê, a CFA e a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), visa fortalecer o trabalho de artesãs e artesãos. O centro servirá como um espaço de atendimento para renovação da Carteira Nacional do Artesão, além de promover atividades formativas e eventos de valorização da produção artesanal.
“O FABI não é um evento improvisado, mas sim a concretização de uma política pública que visa qualificação e ampliação das vendas. Durante três dias, cerca de 20 mil pessoas visitaram o festival, que reuniu mais de 15 etnias em uma programação intensa, promovendo a gastronomia, a música, as artes plásticas e a economia solidária”, ressaltou Weslen Moreira, coordenador de fomento ao Artesanato da Bahia.
Durante o festival, a Praça do Cruzeiro, a Oca do Shopping Indígena, a Passarela e o Museu foram ocupados com uma programação rica e variada, que incluiu feira de artesanato, exposições, rodas de conversa, culinária e até um bloco carnavalesco.
“O FABI representa o reconhecimento da política pública de economia solidária e do artesanato na Bahia, valorizando o trabalho manual de diversas comunidades indígenas. É um espaço que destaca a beleza das tradições e práticas culturais, transformando isso em renda e reconhecimento para esses povos”, concluiu Juremar de Oliveira, chefe de gabinete da Setre.
O I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária é uma realização do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), em conjunto com várias instituições que promovem e apoiam o desenvolvimento das comunidades indígenas na região.


