Festival Mãos da Moda Bahia movimenta economia criativa em Salvador
O Festival Mãos da Moda Bahia chegou ao fim no último domingo (24), após três dias de intensa programação no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia). Com a participação de mais de 5 mil visitantes, a primeira edição do evento destacou o potencial da economia criativa local ao promover o encontro entre marcas autorais baianas e grupos de artesãs têxteis de diversas regiões do estado. Essa iniciativa não apenas evidenciou a riqueza cultural da Bahia, como também impulsionou a comercialização de produtos artesanais, fomentando a geração de renda para dezenas de famílias.
Parcerias estratégicas e coleções que unem tradição e inovação
Organizado pela Nordestesse em colaboração com o Riachuelo Lab e o Programa do Artesanato da Bahia, vinculado à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o festival exibiu coleções que resultaram de seis meses de trabalho conjunto entre seis marcas de moda e seis grupos de artesãs. Ao todo, mais de 60 artesãs participaram do projeto, que buscou fortalecer os laços entre a moda autoral e o artesanato tradicional baiano.
Entre os destaques, a Feira do Artesanato atraiu um público significativo aos jardins do MAC Bahia, oferecendo peças em renda, crochê, bordado, tecelagem e acessórios produzidos por 23 artesãos e coletivos locais. Essa movimentação contribuiu diretamente para o aumento das vendas e a consolidação da economia criativa na região.
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Desfiles celebram ancestralidade e cultura popular baiana
Os desfiles realizados no fim de semana foram palco para coleções inspiradas na ancestralidade, memória e tradições artesanais da Bahia. No sábado (23), a marca Areia abriu a programação com a coleção “Mimosa 2 Açucarados”, criada em parceria com a Associação das Mulheres Artesãs Padre André (AMAPA), de Correntina. A coleção trouxe referências à infância e celebrações populares, com bordados aplicados em tecidos como linho, tule e sarja.
Na sequência, a TEROY13 apresentou “Vertigem Uma noite no ClubT13”, que uniu streetwear, símbolos adinkras e técnicas artesanais desenvolvidas junto ao grupo Mulheres do Algodão de Guanambi. Encerrando o primeiro dia, a Inttuí exibiu “Pele de Céu”, destacando a renda de bilro como elemento central, em colaboração com a Rendavan, Associação de Rendeiras de Dias D’Ávila.
Encerramento com referências quilombolas e técnicas tradicionais
No domingo (24), a estilista Luciana Bortowski trouxe à passarela a coleção “Memórias para o Futuro”, criada com a Associação das Artesãs de Saubara. As peças incorporaram redes de pesca, flores e peixes em bilro aplicados manualmente sobre rendas tingidas em aquarela. A marca Dua apresentou “Benditas”, inspirada na trajetória de mulheres negras alforriadas ligadas à Igreja da Barroquinha, em Salvador, combinando metal forjado, crivo artesanal e estampas da artista Hanna Gomes.
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Fechando o festival, Adriana Meira apresentou “Rio que Conta”, inspirada nas artesãs dos quilombos da Barra, Riacho das Pedras e Bananal, na região do rio Brumado. A coleção destacou referências ao ponto crivo rústico e às paisagens da Chapada Diamantina, fortalecendo a conexão entre cultura local e moda contemporânea.
Impactos e perspectivas para o artesanato baiano
Segundo Weslen Moreira, coordenador executivo de Fomento ao Artesanato da Bahia, o festival contribui para ampliar a visibilidade do artesanato local em novos mercados. Ele ressaltou a importância da iniciativa ao integrar identidade, ancestralidade e inovação, proporcionando oportunidades concretas de geração de renda e fortalecendo a presença dos artesãos baianos no cenário nacional.

