Redução da jornada como motor de crescimento econômico
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, classificou o fim da escala de trabalho 6×1 como um verdadeiro avanço civilizacional. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, ele ressaltou que a diminuição da jornada de trabalho não apenas melhora a qualidade de vida do trabalhador, mas também impulsiona o consumo e reduz os afastamentos médicos, beneficiando a economia como um todo.
Ao contestar a ideia de que a mudança prejudicaria o setor produtivo, Vasconcelos recordou o histórico das legislações trabalhistas no Brasil. Segundo ele, a última redução significativa da jornada ocorreu em 1988, e na ocasião, as elites econômicas afirmavam que isso traria prejuízos ao país. No entanto, a experiência mostrou o contrário: a redução da jornada, sem diminuição salarial, estimula o giro da economia.
Mais tempo livre gera maior consumo e dinamismo em setores-chave
Para o secretário, o tempo livre conquistado pelo trabalhador se traduz em mais oportunidades de consumo. “Quanto mais tempo livre para o trabalhador, mais espaço para ele consumir e participar de atividades como entretenimento, cultura, lazer, esporte e saúde”, explicou. Essa movimentação, segundo ele, traz dinamismo a setores que muitas vezes são negligenciados, contribuindo para o fortalecimento da economia local.
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Impactos na saúde e produtividade do trabalhador
Augusto Vasconcelos enfatizou que jornadas extensas provocam desgaste físico e mental, o que compromete a produtividade. “A redução da jornada não diminui a produtividade, pois a fadiga já causa perdas significativas quando o trabalhador permanece por longos períodos ativo”, afirmou. Segundo o secretário, essa mudança também alivia a pressão sobre as contas públicas, já que o excesso de trabalho está entre as principais causas de afastamentos pelo INSS, gerando custos para o sistema previdenciário e para o SUS.
Apoio a micro e pequenos empresários na transição
Reconhecendo a preocupação de micro e pequenos empresários diante da nova escala, Vasconcelos garantiu que o governo estadual e federal atuam para minimizar os impactos. Ele destacou o programa CredBahia, que já concedeu cerca de R$ 800 milhões em empréstimos, com a meta de atingir R$ 1 bilhão nos próximos anos. Os recursos são destinados à compra de maquinário e matéria-prima, facilitando a adaptação dos pequenos negócios.
No âmbito federal, o secretário mencionou a ampliação da faixa de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de programas de renegociação de dívidas. Para Vasconcelos, o crescimento sustentável do mercado depende da modernização tecnológica e da garantia de condições adequadas de trabalho, e não do aumento da exploração. “Avanço em produtividade deve significar automação e melhoria das condições laborais, e não exaustão”, finalizou.

