Acordo Estratégico para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste
As obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL II) deram um passo significativo com a recente assinatura de um contrato entre a estatal Infra S.A. e o Consórcio Ferroviário. Esse acordo, oficializado no dia 4 de outubro, prevê a conclusão de um trecho de aproximadamente 36 quilômetros, envolvendo um investimento de R$ 467.970.011,11.
O contrato abrange tanto a elaboração dos projetos básico e executivo quanto a execução das obras necessárias para finalizar o “Lote Único” (05FC). Este trecho, que se estende por 35,75 quilômetros, contempla a construção de pátios de desvio e via permanente, elementos fundamentais para a operação e a organização do tráfego ferroviário.
Com este novo contrato, o consórcio responsável terá um prazo de 47 meses, ou seja, menos de quatro anos, para concluir as obras, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço. A contratação foi realizada em conformidade com a Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016), garantindo a transparência e a legalidade do processo.
Importância do Trecho para o Agronegócio
A finalização deste trecho da FIOL II é considerada crucial para o escoamento da produção agrícola e mineral da Bahia. Ao conectar áreas do interior do estado aos portos do litoral, a ferrovia promete otimizar o transporte de grandes volumes de carga, o que deve resultar na diminuição dos custos logísticos e na geração de empregos durante a fase de construção.
Histórico do Projeto de Ferrovia
O avanço das obras ocorre em um contexto de desafios e reestruturações ao longo do projeto da FIOL. Em 2021, a Bahia Mineração (Bamin) foi a vencedora do leilão para a subconcessão do trecho 1 da FIOL, que liga Ilhéus a Caetité, abrangendo cerca de 537 quilômetros. Desde então, a iniciativa privada assumiu a responsabilidade pela finalização e operação dessa parte do projeto.
No ano de 2023, o governo federal incluiu diversos projetos ferroviários no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinando recursos para a infraestrutura de transporte na Bahia. Entre as ações contempladas estava a continuidade da FIOL, especialmente o segundo trecho, que liga Caetité a Barreiras e visa criar um corredor logístico para o escoamento de produção.
Em 2024, a Infra S.A. anunciou que as obras do FIOL II já haviam atingido cerca de 65,8% de execução, com expectativas de superar 70% até o final do ano. Este progresso é atribuído a novos investimentos federais que buscam fortalecer os corredores logísticos voltados ao agronegócio.
Desafios e Progresso nas Obras
Apesar dos avanços em algumas partes, o projeto da FIOL também enfrentou dificuldades ao longo do tempo. Em 2024, a construção do trecho 1, entre Caetité e Ilhéus, foi interrompida devido à desmobilização do contrato entre a Bamin e a construtora encarregada das obras. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sinalizou que os trabalhos em um dos lotes deverão ser retomados em breve.
Este segmento ferroviário atravessa diversos municípios do interior da Bahia, incluindo importantes cidades da região sudoeste, e se integra ao planejamento para conectar a ferrovia ao futuro Porto Sul, que será situado no litoral sul do estado.
Expectativas Futuras para a FIOL II
Com a assinatura recente e a execução do trecho 2 da ferrovia atingindo 71%, o presidente da Infra S.A. expressou otimismo em relação à continuidade das obras. O governo federal, por sua vez, também está discutindo revisões no contrato da concessionária responsável pelo trecho 1, em resposta aos atrasos e interrupções nas construções. A expectativa é de que, com os ajustes e investimentos necessários, a FIOL II se torne um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico da Bahia, trazendo benefícios significativos para o agronegócio e a logística local.


