Reconstruindo a Estratégia Eleitoral
A recente declaração da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que optou por não participar da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez com que a campanha do senador precisasse ajustar sua estratégia para a escolha do vice. Apesar disso, algumas fontes próximas à campanha ainda acreditam na possibilidade de convencê-la a mudar de ideia. Considerada por aliados do PL como a melhor opção para amenizar as resistências do agronegócio à candidatura de Flávio, a ex-ministra da Agricultura sinalizou, em conversas recentes, que deseja focar em seu mandato e, quem sabe, concorrer à presidência do Senado em 2027.
Essa situação levou a equipe de Flávio a retomar diálogos com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), além de explorar outras opções no Nordeste.
Embora a senadora evite afirmar publicamente que está participando de negociações, ela desmente a existência de um convite formal por parte de Flávio.
— A escolha do vice é uma das últimas decisões em uma campanha eleitoral, dependendo de muitos fatores, como as alianças partidárias — comentou.
No entanto, nos bastidores, aliados interpretam que a recente posição de Tereza obrigou a campanha a considerar novas possibilidades.
Porém, a preferência pela senadora não foi completamente descartada. Líderes do PP insistem que Tereza ainda é a nome mais desejado. Um interlocutor, com um toque de ironia, comentou sobre a recusa da senadora em fazer parte da chapa, afirmando que “todos querem”.
Reuniões com Zema
Com esse novo cenário, a equipe de Flávio reabriu as discussões com o Novo. Fontes relataram que o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, teve conversas com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) sobre a possível candidatura de Zema ao cargo de vice. Essa movimentação é vista como um progresso, considerando que anteriormente o partido se mostrava relutante em se aliar ao bolsonarismo.
O nome do governador mineiro se torna cada vez mais forte, não apenas por sua influência eleitoral em Minas Gerais, mas também pela importância que uma aliança com Flávio pode ter na disputa estadual. Aliados de Zema avaliam que a parceria pode ser essencial para garantir a sucessão do vice-governador Mateus Simões (Novo).
A percepção é de que, sem o apoio do PL, Simões poderia estar em uma posição vulnerável, enquanto o partido poderia optar por apoiar o senador Cleitinho (Republicanos-MG), que atualmente tem um maior apelo popular.
Diante desse contexto, defensores de Zema argumentam que a aproximação com o PL não é uma escolha meramente ideológica, mas sim uma necessidade estratégica para evitar o isolamento em Minas. Um aliado sintetizou a situação: sem o apoio bolsonarista, o grupo teria um “candidato inexpressivo” para conduzir a sucessão estadual.
Alternativas Baianas no Radar
Enquanto mantém Tereza e Zema como opções, a campanha de Flávio também começou a considerar alternativas no Nordeste. Entre os nomes mencionados estão o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil-BA), e a ex-deputada federal Roberta Roma (PL-BA), que, nesse arranjo, poderia eventualmente migrar para outra sigla, como o PP, dependendo do resultado final.
Quando questionada, Roberta respondeu com cautela sobre essa possibilidade:
— Estou aqui na Bahia lutando para renovar meu mandato. Na minha visão, Tereza Cristina é a melhor opção para a vice.
Esses nomes estão sendo discutidos como parte de uma estratégia para aumentar a presença da chapa na região, onde o bolsonarismo enfrenta forte resistência. A ideia é buscar candidatos com relevância local e que consigam dialogar com variados grupos, incluindo o eleitorado evangélico e líderes políticos regionais.
Essas possibilidades têm sido debatidas por figuras como o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL-PB), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o ex-ministro João Roma (PL-BA), que estão atuando como articuladores da estratégia no Nordeste.
Além de Roberta, outros nomes como a vereadora Priscila Costa (PL-CE) e a deputada federal Carla Dickson (PL-RN) também estão sendo considerados, com foco em encontrar uma mulher do Nordeste que tenha um perfil conservador e uma conexão com o eleitorado evangélico. Caso sejam escolhidas, elas também estariam abertas a mudar de partido para ampliar o alcance da composição. Atualmente, Priscila é pré-candidata ao Senado com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto Carla recentemente se filiou ao PL para buscar a reeleição.
Impactos das Investigações do Caso Master
O desafio de encontrar um vice ocorre em um cenário instável para a centro-direita, onde as investigações do caso Banco Master introduzem um novo nível de incerteza nas alianças. Fontes próximas à campanha de Flávio indicam que essa questão passou a ser um ponto relevante nas discussões acerca da formação da coalizão, especialmente após a divulgação de mensagens da investigação que citam lideranças de partidos como União Brasil e Progressistas. Isso levou aliados a refletirem sobre os possíveis custos políticos de uma associação que poderia ser afetada pelo caso.


